Reforma do transporte introduz pagamento por quilômetro para melhorar a qualidade do serviço
Uma mudança estrutural após 25 anos
Após 25 anos de um modelo baseado na arrecadação direta, onde a rentabilidade dos empresários dependia exclusivamente da quantidade de passageiros, o transporte público paraguaio implementará um novo sistema de remuneração. As empresas deixarão de ser coletoras de passagens para se tornarem prestadoras de serviços pagas pelo Estado conforme seu desempenho técnico.
Os artigos 7 e 12 da Lei Nº 7617/2026 introduzem o custo de serviço por quilômetro (CSK) como nova unidade de pagamento, desvinculando os ganhos das empresas da demanda de passageiros em cada trecho.
Como funciona o novo sistema de pagamento
Sob este esquema, a retribuição aos concessionários será calculada em função da disponibilidade da frota e do cumprimento dos quilômetros programados. Ao desligar o ganho da empresa da demanda de passageiros, elimina-se a justificativa econômica por trás das paradas em horários de menor demanda.
Anteriormente, se o ônibus não ia cheio, o empresário perdia dinheiro, o que incentivava a retirada de unidades em horários de baixa demanda. Agora, o pagamento é gerado independentemente de quantas pessoas entrem no ônibus, desde que este cumpra seu percurso programado.
Monitoramento tecnológico em tempo real
O cumprimento da frequência será verificado por meio de tecnologia GPS e sistema de bilhetagem eletrônica, eliminando a verificação humana. A Vice-Secretaria de Transportes vincula os desembolsos do fundo fiduciário ao índice de cumprimento de frequência (ICF).
Para que um trecho seja considerado quilômetro efetivo e seja remunerado, deve atender a condições específicas: o GPS deve estar ativo, não pode haver pausas prolongadas não justificadas, e a unidade deve sair no horário estabelecido. Se esses requisitos não forem atendidos, a empresa não poderá cobrar por esse trecho.
Consequências do descumprimento
A reforma endurece as sanções para operadores que descumprem. O descumprimento sistemático de mais de 15% das frequências programadas em um mês autorizará o Poder Executivo a intervir imediatamente a unidade funcional, executar garantias de cumprimento e, em caso extremo, cancelar a rota do operador de forma definitiva.
As paradas passam a ser causa de rescisão de contrato sem direito a indenização, endurecendo significativamente as consequências legais para os infratores.
Benefícios esperados para usuários e sistema
Com essa mudança, o sistema busca erradicar as históricas corridas para captar passageiros, eliminar paradas e melhorar as condições em que os usuários viajam. A reforma pretende recuperar usuários do sistema de transporte público, que nos últimos anos perdeu 800.000 passageiros, com meta de recuperação de 5% ao ano através de economia de escala.
Os transbordos gratuitos, o preço da passagem subsidiado e a intermodalidade com o trem de cercanias serão atrativos adicionais para reconquistar os cidadãos do sistema, chave para sua saúde financeira.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.