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Internacional

Quem são Roberto Sánchez e Keiko Fujimori e o que pode decidir a corrida pela presidência do Peru instável

Eleição histórica repete padrão de confronto entre fujimorismo e seus opositores

05/06/2026 10:45 3 min lectura 10 visualizações
Quiénes son Roberto Sánchez y Keiko Fujimori y qué puede decidir la carrera por presidir el inestable Perú

O Peru escolhe neste domingo seu nono presidente em uma década.

Após uma primeira volta acidentada e uma contagem de votos que se prolongou por um mês, o país sul-americano volta às urnas num clima de incerteza política.

A conservadora Keiko Fujimori, herdeira do fujimorismo e que obteve 17,92% na primeira volta, disputa a presidência com o esquerdista Roberto Sánchez, que conquistou 12,03% dos votos.

Esta eleição repete um padrão que caracterizou a política peruana nas últimas décadas: um confronto entre o fujimorismo e outro candidato, no qual o antifujimorismo costuma desempenhar um papel determinante.

Keiko Fujimori, filha e herdeira política do controverso ex-presidente Alberto Fujimori, caracteriza-se por sua persistência.

Esta é a quarta vez que se candidata à presidência e não reconheceu os resultados das duas últimas eleições, nas quais foi derrotada pelo conservador Pedro Pablo Kuczynski em 2016 e pelo esquerdista Pedro Castillo em 2021.

O cientista político Alonso Cárdenas, professor de Ciência Política da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, em Lima, Peru, afirma que o não reconhecimento dos resultados eleitorais causou danos à democracia peruana.

"Foi um dos principais detonadores do processo de convulsão e instabilidade política que o país arrasta nos últimos dez anos, com oito presidentes, um Congresso profundamente desacreditado e uma implosão institucional que hoje marca a vida política", diz à BBC Mundo.

"Esta situação resultou, além disso, no aumento do crime organizado, expresso em fenômenos como o sicariato e a extorsão, e deteriorou significativamente a qualidade de vida da população".

Na cédula também estará Roberto Sánchez, que aspira à presidência do Peru pela primeira vez.

Foi ministro de Comércio Exterior e Turismo durante o governo do ex-presidente Pedro Castillo, de quem se considera herdeiro político.

Castillo foi condenado no ano passado a 11 anos e meio de prisão pelos crimes de rebelião e conspiração, após tentar sem sucesso dissolver o Congresso e concentrar poderes quando estava à frente do Executivo em 2022.

Um dos fatores determinantes nesta eleição será o voto indeciso, que representa aproximadamente 25% do eleitorado, segundo pesquisa do IEP publicada na semana passada.

"Esse percentual pode se inclinar para qualquer lado. Nos últimos dias, especialmente em redes sociais, muitas pessoas se voltaram para relembrar tudo o que aconteceu com o fujimorismo, os casos de corrupção, a violação dos direitos humanos, o autoritarismo, a cleptocracia", afirma Cárdenas.

"De acordo com as informações que tenho, a brecha que existia nas pesquisas entre Keiko e Sánchez vem se reduzindo cada vez mais", acrescenta.

Também será crucial a participação em diferentes regiões.

"A Keiko Fujimori não convém que haja abstencionismo em Lima, seu principal reduto urbano, enquanto que a Roberto Sánchez não convém o abstencionismo no mundo rural e no sul do país, onde conta com muita popularidade", aponta.

Neste sentido, a mobilização eleitoral em zonas urbanas versus rurais pode ser decisiva no que se prevê ser um resultado eleitoral muito apertado.

Outro elemento determinante é a rejeição histórica a ambos os candidatos, que funciona como uma força política em si mesma.

No caso de Fujimori, o chamado antifujimorismo ativa memórias de autoritarismo e corrupção; no caso de Sánchez, diversos setores rejeitam sua herança de Castillo e a radicalidade de suas propostas políticas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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