Queda do dólar pressiona margens e obriga a recalcular investimento, indicam
O assessor em mercados financeiros Jorge Usandivaras alertou que a apreciação do guaraní frente ao dólar está alterando os cálculos de investimento realizados no Paraguai, especialmente em setores como a construção e as exportações, onde os custos estão divididos entre componentes dolarizados e gastos em moeda local.
Segundo explicou, o impacto se sente principalmente em projetos que foram projetados sob um cenário de tipo de câmbio mais alto. "Há um montão de projeções de investimentos que foram feitas com um dólar de G. 7.500 ou G. 7.600. E agora me olham e me dizem: 'e agora o que faço?'. Mudaram-me parâmetros muito importantes", apontou no programa de streaming Letras Chicas de Última Hora.
Usandivaras sustentou que o Paraguai funciona na prática como uma economia bimonetária, onde o dólar continua sendo a principal referência para os investidores internacionais. "O senhor que traz um dólar quer sacar um dólar dez ou um dólar vinte. Se vê que a conta não lhe dá, é um problema", expressou.
Como exemplo, mencionou o setor imobiliário e da construção, onde parte dos custos — como materiais importados — estão dolarizados, enquanto outros se manejam em guaraníes. "Todas as previsões de 'que vamos fazer este edifício, vamos vendê-lo por tanto, vamos alugá-lo por tanto', estão falhando", afirmou.
Não obstante, Usandivaras indicou que a força do guaraní não responde unicamente a fatores locais, mas também a uma depreciação global do dólar nos últimos anos. Explicou que a moeda estadunidense perdeu valor tanto frente a moedas fortes como frente a divisas de mercados emergentes.
"O dólar se depreciou muito frente a moedas de países emergentes. Parte foi política deste Governo nos Estados Unidos. Queriam exportar mais, colocaram barreiras tarifárias e incrementaram a exportação com um dólar mais barato", comentou.
Nesse sentido, recomendou observar o comportamento do dólar frente a outras moedas emergentes para entender melhor a dinâmica internacional. "Em vez de nos preocuparmos o que acontece frente ao guaraní, minha sugestão é se preocupar o que acontece frente ao dólar, frente a moedas de mercado emergente", indicou.
Além disso, frisou que a apreciação do guaraní também está vinculada ao forte ingresso de capitais no país, tanto por emissões de títulos quanto por investimento estrangeiro direto. "Governo e privados emitiram títulos lá fora. Isso é muito dinheiro entrando", explicou.
Acrescentou que também existe um fluxo crescente de pessoas e investidores estrangeiros que chegam ao país e convertem dólares a guaraníes, o que incrementa a pressão sobre o tipo de câmbio. "Há uma pressão sobre a moeda que é importante. Então, quando vai afrouxar essa pressão? Não sabemos", indicou ao mesmo tempo em que sublinhou a situação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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