Quais empresas competem pelo negócio da hidrovia dos rios Paraná e Paraguai?
O atual processo para adjudicar a um operador privado a concessão por pedágio da Via Navegável Troncal (VNT) - mais conhecida como hidrovia Paraná-Paraguai - foi lançado em dezembro de 2025.
À licitação se apresentaram inicialmente as belgas Jan De Nul NV - atualmente responsável pelo dragagem da hidrovia - e Dredging, Environmental & Marine Engineering (DEME), além da brasileira DTA Engenharia, embora esta última não tenha avançado para etapas posteriores do processo.
A Agência Nacional de Portos e Navegação da Argentina confirmou nesta segunda-feira que as belgas continuam na disputa, após atribuir 66,2 pontos à proposta técnica de Jan De Nul - apresentada em parceria com a empresa argentina Servimagnus - e 42,14 pontos à de DEME.
Mas a decisão final sobre qual empresa ficará com o negócio dependerá das ofertas econômicas que as empresas em disputa apresentarem e que serão conhecidas em breve.
Este é o segundo processo de licitação para a concessão da hidrovia conduzido pelo Governo do presidente argentino, Javier Milei, depois que o primeiro, lançado em novembro de 2024, foi declarado nulo em fevereiro de 2025 diante da apresentação de uma única oferta, a de DEME, a qual o Executivo acusou naquele momento de tentar sabotar o processo, algo que a empresa negou.
Durante a primeira - e fracassada - licitação circularam na opinião pública acusações contra o Governo de Milei sobre o suposto direcionamento do concurso em favor de Jan De Nul, algo que esta empresa e o Executivo negaram.
Naquele momento, a Procuradoria de Investigações Administrativas (PIA) da Argentina advertiu que havia detectado "graves irregularidades" no procedimento de licitação que poderiam resultar em "censuras administrativas e/ou penais".
Na sexta-feira passada a PIA emitiu um novo parecer no qual detalhou irregularidades administrativas detectadas no atual procedimento de licitação que, segundo advertiu, eventualmente poderia resultar em "responsabilidades penais".
Durante a licitação em curso, foi Jan De Nul que impugnou a oferta de DEME.
Ambas as empresas competem em nível global em projetos de serviços e infraestrutura marítima, fluvial, portuária e energética.
Por trás da disputa para ficar com a concessão para a modernização, ampliação, operação e manutenção do sistema de sinalização e tarefas de dragagem da via fluvial se esconde um negócio multimilionário.
Com base nos registros de movimentos de navios e barcaças e o volume de cargas transportadas, variáveis que determinam os pedágios cobrados para circular pela hidrovia, o edital de licitação projeta uma receita média de 618,6 milhões de dólares anuais durante o período base de concessão de 25 anos.
A via a ser concedida vai desde o quilômetro 1.238 do rio Paraná, em sua confluência com o rio Paraguai, até a zona de águas profundas naturais no Rio da Prata exterior.
A VNT, de 1.635 quilômetros, constitui o canal de saída ao Atlântico de 80% das exportações argentinas, principalmente grãos e derivados que são embarcados principalmente nos terminais portuários da cidade de Rosário, um dos maiores nós agroexportadores do mundo em volume.
Pelo sistema da VNT são transportadas cargas provenientes não apenas da Argentina mas também do Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai, países que em 1992 assinaram um acordo para facilitar a navegação e o transporte comercial na hidrovia.
A concessão da hidrovia esteve por 25 anos nas mãos de um consórcio privado integrado por Jan De Nul e a argentina Emepa, até que em setembro de 2021, após vencimento...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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