Protesto de caminhoneiros marca início de nova fase da Ponte da Integração
Transportistas brasileiros bloqueiam circulação na fronteira para contestar restrições ao trânsito de veículos pesados durante o dia
A entrada em funcionamento da quarta fase de ampliação do uso da Ponte da Integração Brasil-Paraguai, que une as cidades de Foz de Iguaçu e Presidente Franco, foi marcada ontem pelo protesto de caminhoneiros brasileiros que questionam as restrições que ainda limitam o trânsito de veículos de grande porte durante o dia.
A mobilização começou por volta das 07:00 no lado brasileiro da fronteira e contou com a participação de representantes de organizações do setor, que reclamam a habilitação do trânsito diurno para caminhões pesados.
A reivindicação principal dos manifestantes é que as novas regras mantêm uma limitação que, segundo sustentam, gera longas filas de espera e dificulta a logística do comércio internacional entre Brasil e Paraguai.
Embora os transportistas reconheçam como um avanço a liberação da passagem durante o dia para caminhões vazios de menor porte destinados a cargas menores, consideram que a medida não soluciona o problema de fundo devido ao fato de que os veículos de grande capacidade continuam restritos ao horário noturno.
O início da nova modalidade de circulação ficou afetado pelo protesto de caminhoneiros de grande porte no lado brasileiro, que impediram temporariamente a passagem dos veículos de menor porte que deveriam começar a utilizar a nova conexão fronteiriça.
Contingência. O administrador da Alfândega paraguaia, Alcides Brizuela, explicou que a situação obrigou a ativar um plano de contingência para evitar maiores transtornos.
"Os caminhoneiros de grande porte em lastro protestam pela passagem dos caminhoneiros de pequeno porte que iriam avançar das 07:00 às 19:00. Eles impediram a passagem e então também os caminhoneiros de pequeno porte deste lado se juntaram para protestar", afirmou.
Diante do conflito, resolveram que os caminhões de menor porte voltem temporariamente à Ponte da Amizade até que exista uma garantia de circulação segura pela nova conexão.
A partir da Direção Nacional de Transporte Internacional indicaram que a situação será analisada pelas autoridades brasileiras e pela Comissão Mista encarregada da operação da ponte. Enquanto se busca uma solução, os veículos de menor porte deverão utilizar novamente a Ponte da Amizade para evitar novos conflitos.
Os transportistas paraguaios esperam que as negociações permitam uma abertura mais ampla da Ponte da Integração e que a nova infraestrutura cumpra finalmente com o objetivo de descongestionar a fronteira e agilizar o transporte de cargas entre ambos os países.
Ever Rodríguez, representante da Associação de Transportistas Internacionais de Cargas de Ciudad del Este, confirmou que cerca de 40 caminhões conseguiram passar pela Ponte da Integração, mas tiveram que retornar devido à manifestação no lado brasileiro.
"Nos aproximamos da Ponte de Integração para cumprir o disposto pelas autoridades. A ordem era cruzar vazio para Foz e voltar carregado pela Ponte da Amizade. Nós acatamos, mas do outro lado havia manifestações e a Polícia de Foz não deu a garantia necessária para continuar", explicou.
Rodríguez indicou que cerca de 150 caminhões estavam preparados para utilizar a nova modalidade.
"A passagem se estava desenvolvendo normalmente. Na alfândega havia controles pertinentes, como corresponde. O inconveniente apareceu ao cruzar para o outro lado, onde havia manifestações", afirmou.
Prejuízo. Os caminhoneiros brasileiros sustentam que a restrição ao transporte pesado durante o dia gera prejuízos econômicos e obriga os condutores a permanecerem durante horas em zonas sem infraestrutura adequada.
Rodrigo Andrade de Souza, representante do Sindicato de Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Foz de Iguaçu, afirmou que o protesto não está dirigido contra os caminhoneiros paraguaios, mas contra as limitações atuais.
"O objetivo é que as autoridades entendam que precisamos de circulação 24 horas para veículos pesados. Somente assim teremos eficiência no comércio bilateral", informou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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