Protestam contra Peter Thiel, cofundador da Palantir, pela segunda vez em Buenos Aires
Trata-se da segunda mobilização em duas semanas na cidade contra Peter Thiel, o magnata por trás da empresa de inteligência artificial, criada em parte graças a fundos vinculados à CIA e que tem participação em desenvolvimentos do Pentágono dos Estados Unidos, principal aliado geopolítico do presidente da Argentina, Javier Milei.
O presidente argentino e o empresário se reuniram em abril na Argentina. Posteriormente, Thiel comprou uma casa e se mudou para Buenos Aires, segundo investigações jornalísticas e políticos opositores. Frente a essa propriedade realizaram-se ambos os protestos.
Embora Milei tenha esclarecido que naquela reunião não discutiram investimentos e que foi uma conversa sobre anarcocapitalismo, ideologia que ambos professam, o posterior envio de projetos legislativos vinculados à compra de terra e benefícios a empresas tecnológicas inquietaram a oposição.
"A presença de Peter Thiel na Argentina não está dissociada deste pacote legislativo, mas faz parte de uma tentativa tecno-fascista", afirmou no sábado à AFP Juan Marino, deputado opositor que participou da mobilização.
Entre as leis que a oposição vincula a Thiel está uma para criar um regime para investimentos superiores a 1.000 milhões de dólares, com benefícios fiscais e cambiais por 30 anos para indústrias como as de IA e centros de dados. Já obteve meia sanção da Câmara de Deputados.
A oposição também aponta contra a reforma da Lei de Sociedades, ainda sem votação, que, segundo apontou Marino, propõe "sociedades anônimas automatizadas" sem pessoas humanas.
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Além disso, questionam a Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada, que acelera despejos e originalmente eliminava os limites à compra de terras por parte de estrangeiros, embora esse ponto tenha sido retirado após pressão social. Também obteve meia sanção, mas do Senado.
Por esta lei é que os manifestantes se vestiram com coletes verdes e cartazes que diziam "despejo".
"Viemos despejar Peter Thiel", disse uma manifestante à AFP, que vestia o colete e uma máscara preto e branca, e pediu sigilo de seu nome.
A convocação incluiu máscaras, fantasias e chapéus, e retomou um protesto anterior em que manifestantes vestidos como Gandalf, personagem de O Senhor dos Anéis, marcharam frente à casa de Thiel com a consigna "You shall not pass" (não passarás, em espanhol).
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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