Propõem nova fórmula para o cálculo do ajuste salarial que inclui produtividade laboral e PIB
Uma nova fórmula para o cálculo do reajuste anual do salário mínimo legal foi o tema central de debate durante a audiência pública tripartite realizada na Câmara de Senadores.
Novos indicadores propostos
Entre os novos indicadores para a calculadora se propõe incluir o índice de alimentos da cesta de consumo, as variáveis de produtividade laboral, o produto interno bruto (PIB) per capita e a evolução do salário mínimo legal, complementando o índice de preços ao consumidor (IPC) que tradicionalmente se utiliza.
O economista Rodrigo Ibarrola explicou a importância de adicionar um componente de produtividade à fórmula de ajuste. "A produtividade é a renda que gera cada trabalhador por hora laboral. O aumento desta variável é o que faz com que o produto interno bruto real cresça ano a ano", assinalou.
Ibarrola destacou que atualmente se observa que o PIB cresce, mas o poder aquisitivo dos salários permanece sem mudanças significativas.
Posição dos senadores
A senadora Yolanda Paredes, convocante da audiência pública, enfatizou a necessidade de modificar o cálculo de variação do salário mínimo, considerando que o valor atual requer melhorias para o trabalhador.
A proposta de Paredes contempla incluir o custo da cesta básica familiar na nova fórmula de cálculo.
Por sua parte, a senadora Esperanza Martínez, que conta com outro projeto de lei no tema, propôs incorporar as variáveis de produtividade laboral e sua lacuna de atraso entre os indicadores.
Martínez assinalou a importância de trabalhar na unificação das propostas para que a nova fórmula contemple a capacidade produtiva. "Uma fórmula real que melhore as condições dos trabalhadores", expressou.
Respaldo institucional
Desde o Ministerio de Economía y Finanzas (MEF) e o Ministerio de Trabajo, Empleo y Seguridad Social (MTESS) expressaram seu apoio a um novo cálculo para o reajuste do salário mínimo.
Danilo Sanabria, diretor geral de Assessoria Jurídica do MTESS, confirmou que "o Ministério do Trabalho está de acordo em que, atualmente, o método de cálculo do reajuste do salário mínimo que se faz pela variação do IPC não reflete realmente o que seriam as necessidades dos trabalhadores".
A gerente de Desenvolvimento Econômico do MEF, Liz Coronel, se referiu ao componente de produtividade como um critério valorável, embora tenha indicado que deve ser medido adequadamente para aplicar uma fórmula apropriada.
Coronel forneceu dados relevantes sobre a situação laboral do país, mencionando que existe considerável informalidade laboral e que apenas 17% dos trabalhadores recebem o salário mínimo, enquanto 44% percebem menos do salário mínimo.
Perspectiva sindical
Ramón Ávalos, secretário geral da Central Nacional de Trabajadores (CNT), valorizou positivamente a iniciativa legislativa, considerando-a uma mudança estrutural para conseguir um verdadeiro ajuste salarial, objetivo que o setor sindical tem perseguido durante anos.
Próximos passos
Diante da existência de dois projetos de lei sobre o tema, as senadoras informaram sobre seus planos de unificar as propostas para criar uma fórmula integral de cálculo do salário mínimo.
Esta iniciativa representa um esforço conjunto entre diferentes setores para desenvolver um mecanismo mais completo e equitativo de ajuste salarial que considere múltiples fatores econômicos e sociais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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