Projeto de IA implicará investimento de USD 40 bilhões, segundo o MIC
Acordo com Taiwan prevê construção de um dos maiores centros de inteligência artificial do mundo em três fases
O Governo anunciou o investimento que o megaprojeto de inteligência artificial (IA) exigirá após a assinatura do acordo com Taiwan. Para a construção conjunta de um dos maiores centros de IA do mundo, os recursos foram estimados em USD 40 bilhões, cifra que representa quase todo o produto interno bruto (PIB, aproximadamente USD 50 bilhões em 2025) do país.
Para ter uma ideia dos fundos considerados para o plano, empreendimentos como Paracel vêm sendo desenvolvidos há anos e necessitam para sua conclusão USD 4 bilhões. O projeto entre Paraguai e Taiwan consumiria dez vezes mais.
O ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, forneceu detalhes da iniciativa ontem em coletiva de imprensa: "É um projeto que se desenvolverá em três fases e combinará a energia elétrica paraguaia com tecnologia taiwanesa de alto nível".
O presidente Santiago Peña havia informado do acordo por meio de suas redes sociais, destacando que se trata de uma associação "50/50" orientada a criar "inteligência artificial soberana". "Apostamos nas próximas gerações com a certeza de que o futuro não se herda: se constrói", escreveu o mandatário.
FASES
Conforme explicou Riquelme, a iniciativa divide-se em três etapas principais: a fase inicial consiste em um centro de dados de 10 MW, que posteriormente se tornará o maior do Paraguai. O investimento estimado oscila entre 200 e 300 milhões de dólares. Esta primeira etapa será destinada principalmente ao uso governamental e não exigirá incentivos fiscais.
Na fase seguinte prevê-se o requerimento de uma potência de 100 MW (menos de 2% da energia gerada no país) e um investimento próximo a 5 bilhões de dólares. Sua execução demandaria aproximadamente quatro anos, de acordo com as declarações do titular da pasta de Indústria.
Finalmente, a infraestrutura alcançará 1.000 MW (um gigawatt) com um investimento estimado de 40 bilhões de dólares. Conforme o ministro, esta etapa permitiria transformar o recurso energético em processamento de dados e geração de conhecimento exportável.
Riquelme detalhou que o modelo de associação replica em parte o esquema de Itaipu: Taiwan asseguraria o processamento de 100% do potencial do centro de dados e apoiaria o financiamento do projeto. Além disso, será instalada uma antena de conexão direta com Taiwan para processar dados que requeiram baixa latência.
O conceito de "IA soberana" implica que o centro será utilizado por ambos os países. No Paraguai, o data center servirá para armazenar dados governamentais sensíveis, como históricos clínicos, informações de impostos, imagens de câmeras de segurança e outros registros estatais.
O ministro sinalizou que o projeto busca ir além do armazenamento: pretende-se reduzir a burocracia estatal mediante tecnologia e fomentar um ecossistema de empresas de tecnologia financeira (fintech), startups e empreendimentos que possam aproveitar os dados para gerar novos serviços e oportunidades, especialmente para micro, pequenas e médias empresas.
Sobre os incentivos fiscais, Riquelme indicou que as conversas ainda não foram concluídas para as fases 2 e 3. Na fase 1 não serão necessários, já que se trata de infraestrutura governamental.
CRÍTICAS
Luis Benítez Aguilar, secretário da Sociedade Paraguaia de Inteligência Artificial (Sopaia), qualificou de "delírio" o megaprojeto de IA e alertou sobre uma alarmante escassez de capital humano.
Conforme expressou Benítez, no Paraguai "não há mais de 10 engenheiros" capacitados neste nível de tecnologia, e apenas cinco dedicados à pesquisa. Para o profissional, a promessa presidencial de combinar "tecnologia taiwanesa com energia paraguaia" enfrenta assim a impossibilidade prática de ser gerenciada por talento local.
O ministro respondeu às críticas da sociedade, que designou o projeto de "delírio" por questões técnicas e de viabilidade.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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