Produtores de Alto Paraná se preparam ante possíveis efeitos de El Niño
Desafios climáticos na produção hortícola
Os pequenos produtores hortícolas de Alto Paraná encontram-se em alerta ante os possíveis efeitos do fenômeno de El Niño durante a temporada de verão. A falta de infraestrutura, o risco de granizos, as chuvas intensas e a disponibilidade de água constituem as principais preocupações para um setor que depende diretamente do comportamento climático.
Virgilio Ramírez, representante da Central de Horticultores Feriantes do Alto Paraná, explicou que os produtores contam com ferramentas limitadas para enfrentar fenômenos climáticos extremos. Apontou que muitos recorrem a medidas como a oração para esperar um impacto mínimo da natureza sobre suas culturas.
Medidas preventivas implementadas
Alguns produtores tentam reduzir os riscos utilizando estufas, embora a infraestrutura disponível ainda seja limitada. Estima-se que apenas entre 20% e 30% dos feriantes dispõem deste tipo de proteção. Além disso, nem toda a produção pode ser trasladada para dentro de casa.
Cultivos como melancia e melão são produzidos principalmente a campo aberto e ficam expostos a chuvas fortes, ventos e eventuais granizos. Ramírez advertiu que estes eventos climáticos podem causar danos significativos:
"A granizada ou coisas que vêm podem cair em cima e destruir, pisar, quebrar ou derrubar no chão".
Projeções de produção
Não se prevê um desabastecimento total, embora seja possível uma diminuição na produção. As verduras, a melancia e o melão figuram entre os rubros que poderiam sentir com maior intensidade os efeitos de condições climáticas adversas. A isto se soma o calor intenso do verão, que dificulta a produção mesmo quando se conta com sistemas de proteção parcial.
A água como fator crítico
Muitos pequenos produtores dependem de reservatórios e poços para armazenar água durante os períodos de chuva. Durante o verão, estes sistemas podem diminuir consideravelmente. Segundo Ramírez, as chuvas registradas durante agosto permitiram manter reservas adequadas, e até o momento não foram reportados casos generalizados de falta de água nas comunidades.
Melhoria contínua da qualidade
Enquanto monitoram as condições climáticas, os produtores mantêm seu compromisso com a melhoria da qualidade de seus produtos. Empresas privadas visitam as propriedades oferecendo sementes e assessoria técnica, o que permite introduzir melhorias nas culturas. Os produtores se esforçam semanalmente para elevar os padrões de qualidade de seus produtos.
Estabilidade na feira
A feira que funciona no galpão B em frente à Terminal de Ônibus de Ciudad del Este, onde os feriantes oferecem seus produtos de quarta a sexta-feira, mantém um fluxo estável de compradores. O movimento se incrementa durante as quinzenas e no final do mês, quando existe maior disponibilidade de dinheiro entre os consumidores. Os feriantes contam com uma clientela habitual que sustenta a atividade durante todo o ano.
Trajetória da iniciativa
A Feira de Produtores Hortifrutícolas foi fundada em 14 de fevereiro de 1997, quando um grupo de pequenos agricultores chegou ao centro de Ciudad del Este. Aquela iniciativa foi concebida para enfrentar a pobreza rural e a dependência de intermediários, consolidando-se como um espaço de comercialização direto entre produtores e consumidores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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