Preocupa escalada de tensões entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
Negociador iraniano avisa que país "nem sequer começou" seu enfrentamento pela rota estratégica
O principal negociador do Irã nas conversações com os Estados Unidos advertiu na terça-feira que seu país "nem sequer começou" seu enfrentamento pelo Estreito de Ormuz. "Sabemos perfeitamente que a continuação do status quo é intolerável para os Estados Unidos, enquanto nós nem sequer começamos ainda", afirmou Mohamad Baqer Qalibaf em uma publicação no X.
Qalibaf, que também é presidente do Parlamento iraniano, apontou que as ações dos Estados Unidos e seus aliados colocaram em risco a segurança da navegação no estreito, crucial para o comércio mundial de petróleo e gás, mas garantiu que sua "presença maligna diminuirá".
A armadora dinamarquesa Maersk, segunda maior empresa de transporte marítimo mundial, anunciou na terça-feira que um de seus navios, o Alliance Fairfax de bandeira estadunidense, atravessou o Estreito de Ormuz escoltado pelas forças de Washington. O navio estava travado no Golfo desde fevereiro e lhe foi "oferecida a oportunidade" de sair em companhia do exército estadunidense.
"Posteriormente, o navio abandonou o Golfo Pérsico acompanhado por meios militares estadunidenses" no dia 4 de maio, informou a empresa em um comunicado enviado à AFP. "O trânsito foi realizado sem incidentes e todos os membros da tripulação estão em perfeito estado de saúde", acrescentou.
Chamados mundiais pela distensão
Os chamados internacionais por uma desescalada no Golfo se intensificaram na terça-feira, após os confrontos entre Estados Unidos e Irã no estratégico Estreito de Ormuz e os ataques de Teerã aos Emirados Árabes Unidos. Desde que o conflito foi desencadeado no dia 28 de fevereiro pelos bombardeios de Washington e Israel contra a república islâmica, o Irã controla essa rota marítima por onde costuma transitar um quinto do consumo mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Aproximadamente 20 mil marinheiros encontram-se lá imobilizados, segundo um alto funcionário da agência britânica de segurança marítima UKMTO. Buscando uma saída para o bloqueio iraniano, o presidente estadunidense, Donald Trump, anunciou na segunda-feira uma operação militar destinada a restabelecer a circulação de navios em Ormuz.
O magnata republicano advertiu, em declarações coletadas pela rede Fox News, que "os iranianos seriam apagados da face da Terra" se atacassem navios estadunidenses nessa zona. Dois navios mercantes com bandeira estadunidense cruzaram o estreito, indicou o comando estadunidense para a região (Centcom), embora Teerã tenha negado a passagem de barcos.
As forças estadunidenses também afirmaram ter destruído seis embarcações iranianas "que representavam uma ameaça para a navegação comercial". Nenhum navio da Guarda Revolucionária iraniana foi destruído, desmentiu um comandante desse exército ideológico, citado pela televisão estatal IRIB.
Acusou os Estados Unidos de matar cinco civis ao atacar dois barcos que partiam de Omã em direção à costa iraniana. Em meio às tensões, o Irã lançou mísseis e drones contra duas instalações militares estadunidenses e comerciais, os quais foram interceptados pelo exército dos Estados Unidos, segundo o chefe do Centcom, Brad Cooper.
"Escalada perigosa"
Nos Emirados Árabes Unidos (EAU), a instalação petrolífera de Fuyaira, uma das poucas acessíveis na região sem passar pelo estreito, foi atacada por um drone que provocou um incêndio. Três cidadãos indianos sofreram "ferimentos moderados", segundo as autoridades locais.
Esses ataques, os primeiros dirigidos contra instalações civis em um país do Golfo desde a entrada em vigor de um cessar-fogo no dia 8 de abril entre Washington e Teerã, reaviviram os temores dos mercados, onde os preços do petróleo dispararam.
Um petroleiro da empresa estatal Adnoc também foi atacado por dois drones iranianos. Os EAU denunciaram "uma escalada perigosa" e se reservaram o direito de responder.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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