Preços estáveis e expectativas cruzadas marcam o mercado de gado gordo para exportação
O mercado de gado gordo para exportação atravessa uma etapa de estabilidade após várias semanas consecutivas de alta de preços, mas em um momento em que a indústria começa a especular e o produtor espera melhores valores por categorias.
O levantamento semanal realizado por Valor Agro mostra que as referências se mantêm entre US$ 5,00 e US$ 5,05 por quilo de carcaça para machos e novilhas, enquanto a vaca continua no eixo de US$ 4,80 a carne.
A firmeza das cotações ocorre em um cenário onde a atividade industrial continua mostrando maior dinamismo, e tudo indica que junho fechará como o mês de maior abate do primeiro semestre.
Entretanto, esse melhor ritmo de atividade ainda não é suficiente para compensar os níveis do ano passado, com um semestre que concluiria com um abate aproximadamente 25% inferior ao registrado entre janeiro e junho de 2025.
Quanto ao mercado, nas últimas semanas também começou a observar-se uma mudança na dinâmica comercial. As indústrias apresentam uma posição de compra mais confortável, com prazos que atualmente oscilam entre 10 e 15 dias, após o intenso processo de aquisição de gado registrado durante junho.
Neste contexto, os frigoríficos seguem de perto duas variáveis que poderiam marcar o comportamento do mercado durante as próximas semanas.
A primeira está vinculada ao cenário internacional. Operadores industriais advertem um mercado algo mais pressionado por diversos fatores globais, entre eles as dificuldades que enfrenta o Brasil em alguns destinos de exportação e o encerramento da cota brasileira destinada à China, situação que poderia redirecionar maiores volumes de carne para os Estados Unidos e gerar maior competência internacional.
Esta visão também começa a ser compartilhada por distintos traders internacionais, que, embora mantenham uma perspectiva estrutural positiva para o negócio de carne bovina no longo prazo, consideram que no curto prazo poderão observar-se maiores pressões sobre os preços internacionais.
O segundo fator que concentra a atenção do mercado é a evolução da oferta de gado após o ingresso das primeiras semanas de frio intenso.
Alguns operadores sustentam que começaram a aparecer sinais de uma maior intenção de venda por parte dos produtores, situação habitual durante o inverno.
Não obstante, do setor primário o diagnóstico é diferente. Produtores consultados consideram que as condições produtivas continuam sendo favoráveis, com boa disponibilidade de pastagens e reservas forrageiras, razão pela qual não esperam uma saída massiva de gado que altere significativamente o equilíbrio entre oferta e demanda.
Sob este cenário, referentes do setor produtivo entendem que atualmente não existem fundamentos suficientes para impulsionar uma correção de baixa no preço.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.