Powell desafia a pressão política e seguirá na Fed apesar de investigações e críticas de Trump
Jerome Powell anunciou nesta quarta-feira que permanecerá na Reserva Federal americana (Fed) como governador ao término de seu mandato como presidente enquanto seguir sendo objeto de pressões político-judiciais.
Powell, alvo frequente da ira do presidente Donald Trump, finaliza seu período como chefe da Fed em 15 de maio, mas pode permanecer até o final de janeiro de 2028 na junta de governadores, o órgão reitor do banco central.
"Sairei quando considerar que é apropriado", declarou em uma conferência de imprensa. Esta situação, muito incomum, eclipsou em parte a notícia monetária.
Powell falou depois da reunião do Comitê de Política Monetária da Fed (FOMC), que manteve sem mudanças suas taxas de juros (entre 3,50% e 3,75%), pela terceira reunião consecutiva.
A decisão era esperada, mas quatro dos 12 membros do comitê manifestaram sua desaprovação, por motivos distintos. Foi a maior quantidade de votos dissidentes desde 1992.
Powell explicou que prevê "manter um perfil baixo" como governador e que não deixará a Reserva Federal até que a investigação que o envolve esteja "total e verdadeiramente concluída".
A Casa Branca e o Departamento de Justiça lhe reprovam os sobrecustos das obras de renovação da sede da Fed em Washington.
Na sexta-feira, uma fiscal próxima a Trump anunciou o fechamento do procedimento judicial, ainda que não o tenha dado por totalmente enterrado.
Preocupação generalizada
A ameaça que paira sobre Powell, que lidera a Fed desde 2018 por iniciativa de Trump e foi mantido no cargo sob o democrata Joe Biden, irrita os círculos econômicos e boa parte da classe política, que valorizam a independência da instituição.
Desde seu retorno ao poder em janeiro, Trump não hesita em questionar o banco central por não cortar as taxas de juros como ele espera.
Além de suas investidas contra Powell, tentou afastar a governadora Lisa Cook. A Suprema Corte deve se pronunciar proximamente sobre este assunto.
"Existe uma preocupação generalizada de que este tipo de coisa possa continuar", deixou entrever Powell, em referência às ações judiciais contra responsáveis pela política monetária.
Sua permanência prolongada constitui um revés para Trump, que tem tentado acelerar sua saída e deseja atribuir seu posto de governador a outra pessoa.
Powell parecia relaxado durante a coletiva de imprensa, mas mostrou-se sério ao insistir na importância de contar com um banco central concentrado unicamente em objetivos econômicos e no interesse geral, e não no próximo encontro eleitoral.
Felicitou quem Trump designou para sucedê-lo, o ex-governador da Fed (2006-2011) Kevin Warsh.
Disse que "confiará na palavra" de Warsh quando assegura que não se deixará influenciar por Trump.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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