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Educação

PISA volta a colocar os docentes no centro do debate educativo

Sistema educativo esgotado, formação docente enfraquecida e sociedade que condiciona aprendizagem

14/09/2026 19:45 3 min lectura 287 visualizações

Um sistema educativo esgotado, com menos tempo efetivo para ensinar, uma formação docente enfraquecida e uma sociedade que também condiciona as possibilidades de aprendizagem: esse é o diagnóstico que deixaram a senadora e ex-ministra de Educação Blanca Ovelar e o ministro Luis Ramírez durante a apresentação dos resultados do PISA 2025 que se realizou ontem no salão auditório do Ministério de Educação e Ciências (MEC).

Ambos palestrantes coincidiram em que a crise não tem um único culpável e que revertê-la exige recuperar a qualidade do ensino, fortalecer os docentes e sustentar as políticas educativas no tempo.

A senadora Ovelar questionou a tendência de buscar um único responsável pelos maus resultados. "Todos somos culpáveis", afirmou, embora tenha ressaltado que existe uma responsabilidade política inescapável em quem conduz o sistema. Segundo seu critério, PISA expõe uma realidade complexa na qual intervêm a escola, a família, as relações sociais e as pautas culturais.

A formação docente apareceu como um dos principais problemas. A ex-ministra criticou a expansão de ofertas de baixa qualidade e sustentou que é necessário recuperar o rigor e o prestígio da carreira. "Precisamos melhorar a formação", afirmou, questionando os modelos que permitem uma preparação insuficiente e com pouca prática.

O ministro Ramírez concordou em que o fator docente é determinante e levantou a necessidade de modificar o modelo de formação. "O mestre passa a ser um facilitador e um questionador", sustentou, ao apontar que deve ensinar aos alunos a formular perguntas, argumentar e buscar distintas respostas.

O alto funcionário anunciou ainda que o MEC projeta um sistema de avaliação rigorosíssimo para os docentes: "Primeiro compreensão; depois vai se avaliar quanto você sabe de didática, quanto você sabe ensinar as crianças, e terceiro, a saúde mental".

Outro problema apontado foi a perda de horas efetivas de aprendizagem. Ramírez afirmou que "cada vez damos menos horas de aula" devido à incorporação de múltiplos programas e atividades, como desfiles, educação no trânsito, e corre-se o risco de descuidar aprendizagens básicas como ler, escrever e resolver operações matemáticas. Outro ponto do PISA foi o alto percentual de absentismo.

O contexto familiar e social também pesa sobre os resultados, segundo Blanca Ovelar, mencionando fatores como pobreza, pautas de criação, nutrição e dificuldades para sustentar a atenção em um ambiente marcado pelas novas tecnologias.

Por sua parte, Ramírez agregou a saúde mental e a necessidade de que os docentes possam identificar as situações particulares de seus alunos. "Se o mestre não está treinado para ver o outro, não está treinado para ver o rostinho daquela criança, não está treinado para saber que algo acontece com ela, não vai haver aprendizagem".

Ambos levantaram que o Paraguai também não pode se limitar a copiar modelos estrangeiros. Ramírez citou o caso de Hong Kong, que também registrou uma queda apesar de se posicionar entre os sistemas de maior rendimento, e destacou Paraná, Brasil, onde uma política educativa sustentada durante sete anos permitiu melhorar as aprendizagens. Neste sentido, não existem soluções imediatas quando se trata de educação.

Por isso, a continuidade das políticas educativas foi outro ponto central. Ramírez lamentou a perda de programas como Escola Viva e Leo.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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