PGN 2027: Subsídio ao transporte subirá 35% e será pago com dívida
Governo volta a financiar integralmente subsidies a transportistas com crédito público, após críticas em 2025
O projeto de Orçamento Geral da Nação (PGN) 2027 apresentado pelo Poder Executivo propõe destinar G. 493.943 milhões, equivalentes a USD 76,4 milhões (ao tipo de câmbio de G. 6.458 estimado), com o objetivo de que as empresas de transporte público da área metropolitana possam manter um preço de passagem regulado.
Trata-se de um valor até 35,3% superior aos G. 364.844 milhões (USD 58,6 milhões) que foram aprovados para este 2026. O incremento ocorre em meio a um contexto de evidente queda no número de passageiros.
Porém, o mais chamativo deste novo plano de gastos é que se pretende financiar 100% dos subsídios aos transportistas mediante Fonte 20, ou seja, com recursos de crédito público.
Em 2025, o Ministério da Economia e Finanças (MEF) havia sido bastante questionado porque se divulgou que USD 14 milhões de bônus soberanos estavam sendo destinados a esta rubrica.
Após a pressão, o esquema de financiamento foi modificado e já no PGN 2026 foi aprovado custear os subsídios unicamente com Fonte 10, isto é, com impostos.
A esse respeito, Mauricio Maluff, ativista da Organização de Passageiros da Área Metropolitana de Assunção (Opama), disse que se trata de um "retrocesso", depois que o Governo anunciara como um êxito o financiamento mediante recursos tributários.
"Houve um retrocesso com relação a este ano, um êxito que anunciavam era que se ia mudar justamente o financiamento, e agora estamos retrocedendo (...). Me parece que não corresponde estar financiando com nova dívida outra vez", expressou em contato com Última Hora.
Igualmente, qualificou como um "fracasso" do sistema a diminuição na quantidade de usuários, mas disse que essa queda é justamente o que encarece o sistema.
Explicou que uma menor quantidade de passageiros obriga o Estado a aumentar o subsídio para manter a operação ou a rentabilidade do setor.
"Quanto menos passageiros há, mais é necessário o subsídio. É o que faz com que o sistema seja cada vez menos rentável por si só. Mas isso é um resultado do fracasso de planejamento do sistema que nos leva a cada dia ter menos passageiros, gente vivendo a maior distância de seu lugar de trabalho, mais gente do que antes que usa o sistema de transporte público, usa uma moto, compra um chileré, com tal de não ter que esperar o coletivo, e isso encarece o sistema", insistiu.
Reforma
Por outro lado, criticou a demora na reforma do transporte. Disse que embora o Governo tenha prometido que começaria a operar desde este ano e tenha anunciado licitações para alguns corredores, os prazos nunca foram cumpridos.
Sustentou que existe o risco de que a reforma não mostre resultados antes de terminar o Governo de Santiago Peña e seja abandonada pela próxima administração.
Recordou também que a reforma, além disso, será inicialmente parcial e funcionará como um plano piloto para uma zona determinada.
"Como sempre são um pouco mentirosos com as datas. Este ano supostamente tem que estar em operação já. Supunha-se que se ia chamar a licitação em julho, isso não ocorreu, ainda não há uma licitação vigente, se disse o corredor Mariscal López, mas isso ainda não ocorre. A promessa do Governo é que vai funcionar desde este ano, mas eu não vejo que os prazos estejam sendo cumpridos para que isso ocorra. Novamente, é ao que estamos acostumados, a própria Lei de Reforma anunciaram como um ano mais ou menos, e se demorava muito mais do que prometeram", criticou Maluff.
Finalmente, manifestou que a cidadania não deve se resignar a um sistema deficiente, por isso exortou a manter a pressão para exigir melhores serviços e o cumprimento das promessas estatais.
Apesar do precário serviço, na Mensagem do PGN 2027, o MEF afirma que entre as políticas que requerem uma "resposta concreta" à cidadania está o transporte público de passageiros.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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