PGN 2027: FTC receberia mais apesar de 13 anos sem concretizar objetivo
Orçamento para combater grupos criminais aumenta, mas organização não conseguiu conter crimes em suas zonas operativas
O projeto de Orçamento Geral da Nação (PGN) 2027 propõe aumentar os recursos destinados à Força de Tarea Conjunta (FTC).
O orçamento alocado ao Comando de Defesa Interna (CODI), sob o programa de "Operações de Defesa Interna contra Grupos Criminais" para o próximo ano é de G. 63.963 milhões, equivalentes a USD 9,9 milhões ao tipo de câmbio de G. 6.458 estimado para 2027, dentro do orçamento do Ministério de Defesa Nacional.
Este orçamento representa um aumento de G. 5.010 milhões e de 8,5%, em comparação com o aprovado em 2026, de G. 58.952 milhões (USD 9,4 milhões ao tipo de câmbio estimado este ano).
O aumento é questionado considerando os 13 anos de desempenho da FTC sem lograr seu objetivo central, de combater e neutralizar os grupos armados que operam no país, especialmente o autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP).
Além disso, no acumulado até 2026, a FTC já recebeu cerca de USD 68 milhões, com uma média de USD 8,5 milhões anuais, 50% destinado a salários.
Para 2027, o detalhamento do orçamento do Ministério de Defesa mostra que o aumento responde unicamente aos serviços pessoais, com G. 30.580 milhões (USD 4,7 milhões), um 19,5% mais em relação aos G. 25.569 milhões (USD 4,1 milhões) orçados para este 2026.
O restante dos principais itens apresenta variações para redirecionar os recursos a outros. Por exemplo, os serviços não pessoais passariam de G. 2.044 milhões a G. 2.242 milhões, enquanto que o investimento físico sobe levemente de G. 9.800 milhões a G. 9.940 milhões, apenas G. 140 milhões a mais.
Em contrapartida, os bens de consumo e insumos caem de G. 16.539 milhões a G. 16.200 milhões, uma redução de G. 338 milhões. Outros gastos e os "gastos reservados" se mantêm em G. 5.000 milhões cada um.
Entre os gastos operacionais para o próximo ano aparecem recursos importantes para combustíveis e lubrificantes, por G. 7.089 milhões, enquanto que se preveem G. 9.540 milhões para comprar equipamentos militares e de segurança.
O orçamento contempla além disso recursos para alimentos, peças de reposição, manutenção, passagens e estadias, serviços técnicos e outros insumos.
Desempenho
A FTC foi criada em 24 de agosto de 2013, durante o governo de Horacio Cartes. Sua conformação foi possível após a modificação da Lei Nº 1337/99 de Defesa Nacional e Segurança Interna mediante a Lei Nº 5036/13, que habilitou o emprego de elementos das Forças Armadas em tarefas de segurança interna.
A força ficou integrada por militares, policiais e agentes da Secretaría Nacional Antidrogas (Senad), com presença principalmente no Norte do país.
Sua missão principal historicamente é combater o EPP e seus desdobramentos. Porém, até a data não logrou nem mesmo conter os fatos criminais em suas zonas operativas. Apenas em fevereiro passado, o produtor agropecuário Almir de Brum foi sequestrado no limite entre Caaguazú e Canindeyú e permaneceu cativo durante 103 dias, até que conseguiu escapar no 4 de junho.
Desde a criação da FTC também se produziram sequestros como os de Arlan Fick, Edelio Morínigo, Abraham Fehr, Félix Urbieta e Óscar Denis. Morínigo, Urbieta e Denis inclusive continuam desaparecidos.
Apenas em julho passado, mais de 10 pessoas fortemente armadas atacaram o Posto Policial Nº 4 da colônia Naranjito, no distrito de Ybyrarobaná, onde foram assassinados dois policiais e um cidadão brasileiro.
Organizações criticam a militarização da segurança interna e o volume de recursos destinado à FTC frente aos resultados obtidos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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