Perpetuamente felizes
A busca da felicidade foi uma ideia formulada na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Na Hispano-América foram vários os líderes revolucionários que plasmaram essa mesma ideia em vários documentos sustentando que era um dos principais objetivos dos movimentos independentistas.
Para os líderes da Independência do Paraguai a felicidade para os nascidos neste país foi um dos principais objetivos do movimento que iniciaram no começo de maio de 1811. No início do século XIX, essa felicidade pública era entendida como o exercício da soberania, a liberdade e a igualdade entre todos os cidadãos, é uma ideia que provinha do pensamento ilustrado que influiu decisivamente nas revoluções atlânticas desde fins do século XVIII.
Mas hoje, 215 anos depois, deveríamos nos perguntar: Conseguimos nós paraguaios ser felizes como almejavam os pais da Pátria? Ao longo de nossa história como nação independente foram escassos os momentos em que a liberdade e a igualdade conseguiram se converter nos valores predominantes na sociedade paraguaia.
De fato, o avanço dos valores de liberdade e igualdade foi bastante lento na conformação da República paraguaia, recém reconhecidos para todos os habitantes com toda sua plenitude após a Guerra Guasu. Os processos históricos de nosso país estão compostos por constantes enfrentamentos, inclusive armados, devido às injustiças, as perseguições, marginalizações por parte dos que exerciam o poder. Um fato significativo é que mais de quinze presidentes da República conheceram o exílio, devido às perseguições políticas.
Mas ao longo deste tempo a maioria dos paraguaios foram exilados econômicos, situação que até hoje é a realidade de milhares de compatriotas que encontraram oportunidades para melhorar sua qualidade de vida e de suas famílias longe da pátria; segundo dados oficiais proporcionados pelo INE aproximadamente 700.000 paraguaios compõem essa comunidade de migrantes principalmente na Argentina, Espanha e Estados Unidos da América.
Acreditamos que a comemoração de nossa Independência não deveria se reduzir apenas à recordação protocolar dos fatos históricos sem o contexto que permita aos paraguaios e paraguaias do século XXI compreender qual era a aspiração de quem fundou esta república, pois como havia afirmado Augusto Roa Bastos "Pátria é o lugar onde se é feliz".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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