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Economia

Períodos de abundância já escasseiam; estamos em ponto de inflexão no sistema elétrico

Miguel Báez Reyes assume a ANDE e alerta sobre a necessidade de modernização da matriz energética paraguaia

02/08/2026 10:45 4 min lectura 8 visualizações

Em uma conjuntura crítica para o desenvolvimento energético do Paraguai, Miguel Báez Reyes assume a titularidade da Administração Nacional de Electricidade (ANDE). Como um "aposentado da casa", toma o comando com a advertência de que o modelo atual necessita se modernizar diante do fim da abundância hidroelétrica. Nesta entrevista exclusiva para Última Hora, expõe o roteiro institucional, os estudos em andamento para a definição tarifária, a postura sobre um eventual ajuste nos preços, a proposta do Ministério de Energia e as chaves estratégicas para o Anexo C de Itaipu.

–Presidente, como viveu este processo de sua designação para assumir uma instituição chave para o desenvolvimento do país?

–Com muita responsabilidade. Quando me convocaram e me perguntaram se poderia colaborar com a ANDE, eu sempre disse que sim e sempre vou dizer que sim porque sou um aposentado da casa e um aposentado que deve muito a esta empresa e que tem um carinho especial por ela. Estamos em um ponto de inflexão no sistema elétrico. Os períodos de abundância estão escasseando já, então é tempo de se colocar a trabalhar para tentar fortalecer o sistema.

–Qual é a visão que tem sobre a ANDE para os próximos anos e frente ao sustentado aumento da demanda?

–A mim me agradaria modificar, modernizar o que é o setor. Esta concessão é de 50 anos atrás, o mundo mudou tanto. Se não adequarmos o sistema para o que se vem, o que estamos fazendo é limitar o desenvolvimento do país. Para isso temos que impulsionar a diversificação gradual de nossa matriz energética, incorporando sempre novas fontes de geração que complementem nossa fortaleza hidroelétrica e fortaleçam a segurança energética.

–No debate técnico já se coloca a necessidade de uma atualização tarifária, cuja última revisão data de 2017 e seu antecessor propunha um ajuste gradual. Que postura tem sobre um eventual aumento na tarifa?

–Dame tempo. Quero ver as novas tarifas técnicas que saem e comparar com a atual para ver o que cobre ou não cobre nossos custos. Aí sim vamos te responder essa pergunta e vamos te dizer com conhecimento de causa se justifica o aumento e se justificar, quanto vamos fazer. Mas agora mesmo não te digo nem sim nem não porque quero o estudo primeiro.

–Ao assumir explicava que se buscaria estabelecer uma tarifa única para as indústrias que queiram investir no país. Em que consistirá?

–Definir a tarifa por níveis de tensão; uma tarifa técnica. A tarifa técnica deve contemplar todos os itens que a ANDE tem: O que me custa transformar, transmitir, distribuir, e além disso cumprir com a lei que me exige ter um lucro em torno de 8% a 10%. Daí deveria sair a tarifa, e deixá-la bem clara para todo mundo. Esta é a tarifa, senhores. Não há nenhum mistério. Vamos tirar uma tarifa entre os setores envolvidos; calculamos e avaliamos. Quem quiser vir e ver que lhe convém, que se instale. Vamos transparentar este trabalho com o apoio do Ministério de Indústria e Comércio (MIC), o Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (MITIC), e com o Ministério de Economia e Finanças (MEF), respeitando o que diz a Carta Orgânica da ANDE.

–Esta tarifa única facilitará a atração de investimentos industriais?

–A transparência vem por calcular a tarifa por níveis de tensão: em 66 kV, em 220 kV, em 500 kV. Vamos tirar uma tarifa entre os setores envolvidos olhando o sistema elétrico. Que alguém que queira vir e investir desde a Indonésia possa ver na página web da ANDE quanto é a tarifa hoje e daí avaliar sua viabilidade. Quem quiser vir com essa tarifa, vem, e quem não, não.

–Quantas solicitações de projetos de investimento estão em avaliação atualmente?

–Existem consultas em pasta de gente que quer investir em indústrias de alto consumo que...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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