Pecuaristas preparam contingência ante possível impacto de El Niño
O setor pecuário paraguaio se prepara ante a possibilidade de um episódio severo do fenômeno El Niño durante os próximos meses. Neste contexto, Mario Apodaca, vice-presidente da Associação Rural do Paraguai (ARP), sinalizou que o setor vem alertando e capacitando os produtores para reduzir o impacto que poderiam gerar as chuvas intensas, inundações e dificuldades de acesso às estâncias.
O dirigente pecuário explicou que, embora até o momento o fenômeno não tenha gerado no Paraguai os efeitos mais severos que se observam em outros países da região, as previsões para setembro, outubro, novembro e dezembro obrigam a adotar medidas preventivas. "Há que se preparar para o pior e, se não ocorrer, ainda assim terá benefício", sustentou ao ressaltar a importância de se antecipar a possíveis cenários de emergência.
Uma das principais recomendações aponta a identificar com antecedência campos altos onde possa se transladar o gado em caso de inundações. A medida é especialmente relevante para estabelecimentos localizados em zonas baixas e próximas aos grandes cursos de água.
Entre as áreas consideradas de maior vulnerabilidade, mencionou setores do Baixo Chaco, Presidente Hayes, Alto Paraguai, Ñeembucú e algumas zonas ribeirinhas de Concepción, onde as enchentes poderiam afetar extensas superfícies destinadas à produção pecuária.
O dirigente recomendou além disso reduzir a carga animal quando necessário, mediante a venda antecipada de categorias menores ou animais de refugo, e transladar parte do rebanho para zonas mais seguras.
Outro ponto-chave é contar com reservas de alimentos. Apodaca destacou que o inverno úmido permitiu uma boa produção de gramíneas para a elaboração de feno, por isso numerosos estabelecimentos já dispõem de reservas para enfrentar eventuais períodos em que as pastagens fiquem sob água.
"O feno, a silagem e, eventualmente, o balanceado podem se converter em ferramentas fundamentais para sustentar a alimentação do gado enquanto durarem as inundações e se recuperem os campos", sinalizou.
Terneros. Um dos principais temores está relacionado com as categorias menores. Segundo explicou Apodaca, o período compreendido entre esta época e março concentra o nascimento de mais de dois milhões de terneros, por isso uma temporada de chuvas excessivas poderia gerar importantes prejuízos.
Os animais jovens são particularmente vulneráveis a permanecer em campos alagados, devido à dificuldade para acessar o alimento e à deterioração das condições sanitárias. Além de uma eventual mortalidade, o excesso de água pode provocar perda de peso e uma queda da produtividade do rebanho.
O excesso de água e a mistura de fontes hídricas também podem incrementar os riscos sanitários para os animais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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