Paraguaios no exterior apresentam propostas para ampliar direitos políticos
Os paraguaios residentes no exterior voltarão a apresentar ante o Congresso Nacional a necessidade de ampliar seus direitos políticos e contar com representantes próprios no Parlamento. A proposta contempla a criação de bancas reservadas para a diáspora paraguaia, cujos integrantes seriam eleitos pelos compatriotas que vivem fora do país.
O planejamento será apresentado nesta sexta-feira durante uma reunião com as principais autoridades legislativas, na qual os representantes das organizações de migrantes exporão seus reclamos e uma série de propostas para avançar rumo a uma política de Estado dirigida aos paraguaios residentes no exterior.
Inscrição automática no padrão eleitoral
Um dos principais eixos será a restituição da inscrição automática no Registro Cívico Permanente, mecanismo que permitia incorporar ao padrão eleitoral os paraguaios residentes no exterior sem necessidade de realizar um trâmite adicional.
Os representantes da diáspora questionam a derrogação da Lei 6.951, que estabelecia este mecanismo, considerando que sua eliminação significou um retrocesso no reconhecimento dos direitos políticos dos compatriotas.
Juan Bautista Moreira Brítez, um dos referentes do movimento, recordou que as organizações de migrantes vêm impulsionando reivindicações há mais de uma década.
Avanços em direitos de voto
Entre os avanços mencionou a modificação do artigo 120 da Constituição Nacional, que permitiu reconhecer o direito ao voto dos paraguaios residentes no exterior em eleições nacionais. Porém, sustentou que o reconhecimento do sufrágio deve ser acompanhado de uma participação efetiva nas instituições do Estado.
Não queremos ser somente declarados ausentes por uma questão de geografia. Somos seres humanos que nos fomos por diferentes razões, mas que ainda assim seguimos sendo sujeitos de direitos dentro de nossa pátria
Proposta de representação parlamentar
Entre as principais propostas figura a criação de uma representação parlamentar própria para os paraguaios residentes no exterior. Moreira Brítez propôs que, tomando como referência a composição atual do Senado, se pudesse ampliar de 45 a 50 o número de integrantes da Câmara Alta, destinando cinco bancas a representantes eleitos exclusivamente pelos compatriotas que vivem fora do país.
A iniciativa toma como referência experiências de outros países que reconhecem espaços de representação política para seus cidadãos residentes no exterior, como Itália e Equador.
O objetivo, explicaram, é que quem ocupe essas bancas conheça de primeira mão as dificuldades e necessidades das comunidades paraguaias nos distintos países, em lugar de que seus representantes sejam designados desde o Paraguai por critérios políticos.
Consulta a organizações de migrantes
Nesse sentido, questionaram que as decisões relacionadas com a migração sejam adotadas sem consultar suficientemente as organizações que trabalham diretamente com os compatriotas no exterior. Os representantes sustentam que é fundamental contar com pessoas que realmente conhecem a situação de dentro.
Outro dos reclamos centrais aponta a recuperação da inscrição automática dos paraguaios residentes no exterior no padrão eleitoral. Os representantes sustentam que a derrogação da Lei 6.951 provocou uma diminuição na incorporação de novos eleitores e dificultou a participação de milhares de compatriotas nos processos eleitorais.
Como alternativa, propõem que as instituições do Estado aproveitem os registros disponíveis em consulados e embaixadas para facilitar a atualização dos dados e a incorporação de novos votantes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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