Paraguai "reivindica equidade" na distribuição de cotas de exportação do Mercosul para a UE
Durante o discurso de abertura da 68ª Conselho do Mercado Comum – um encontro também conhecido como Cúpula de Cancilleres –, o ministro de Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez, adiantou que seu país se opõe à distribuição das cotas baseada unicamente em "critérios de comércio histórico", como propuseram alguns sócios nas reuniões preparatórias de sábado e domingo.
"Se negociamos juntos, se assumimos custos juntos e se realizamos concessões em nome do Mercosul, devemos também assegurar que as oportunidades obtidas possam ser aproveitadas por todos", apontou Ramírez.
Como exemplo, o chanceler citou que sócios propuseram que os envios de carne fresca paraguaia para a UE se acordem em um intervalo de entre 300 e 600 toneladas, quando a cota global atribuída pelos Vinte e Sete ultrapassa as 6.000 toneladas.
"Nossas exportações atuais já demonstram uma capacidade de abastecimento muito superior a esses volumes. Consequentemente, uma atribuição reduzida não constitui uma oportunidade efetiva de acesso, mas uma limitação prática para consolidar e ampliar nossa presença em um mercado estratégico", acrescentou.
Paraguai, que presidiu o Mercosul nos últimos seis meses, e durante esta cúpula entregará a liderança do organismo de integração regional ao Uruguai, tem defendido nas últimas semanas um reparto igualitário das cotas de exportação, algo que espera ser acordado nesta jornada.
A respeito disso, o vice-ministro de Comércio e Serviços do Paraguai, Alberto Sborovsky, disse em conversa com a EFE que essa postura procura evitar que entre os sócios do Mercosul impere "a lei da selva", onde "o primeiro chegado é o primeiro servido".
Em janeiro passado, o bloco assinou com a UE um acordo que abriu uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e cerca de um quarto do produto interno bruto (PIB) global.
Este pacto começou a ser aplicado de maneira provisória em 1º de maio, após a ratificação do acordo nos Parlamentos do Mercosul.
Bolívia, que aderiu ao Mercosul em 2015, é membro pleno desde 2024 e atravessa um período de transição para adequar seu arcabouço legal e tarifário às regras do bloco.
Venezuela, que se incorporou ao bloco em 2006, foi suspensa de maneira indefinida em agosto de 2017, depois que o Mercosul invocasse o 'Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático' após considerar que o Governo do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, rompeu a ordem democrática ao instalar uma Assembleia Constituinte no país caribenho.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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