Paraguai joga forte nos EUA: a cota exclusiva de carne que pode mudar o negócio
Paraguai avançou oficialmente em sua estratégia para acessar uma cota exclusiva de exportação de carne bovina no mercado dos Estados Unidos, uma gestão que havia sido antecipada por Valor Agro pouco mais de um mês atrás e que nos últimos dias foi confirmada tanto pelo setor público quanto pelo privado.
A iniciativa busca que o país possa contar com um quinhão próprio, livre de tarifa, dentro de um dos mercados mais dinâmicos para a carne paraguaia.
Atualmente, Paraguai exporta dentro e fora da cota geral de terceiros países, um contingente de algo mais de 50.000 toneladas sem tarifa, mas altamente competitivo e dominado por Brasil.
A pressão dentro desse quinhão é extrema: nos primeiros dias de 2026, Brasil já havia completado o total da cota. O gigante regional exporta cerca de 300.000 toneladas anuais de carne para Estados Unidos, um volume que supera amplamente toda a colocação paraguaia nesse destino.
Neste contexto, Paraguai enfrenta uma clara desvantagem competitiva. Parte importante de suas exportações, ao redor de 15.000 toneladas no que vai do ano, é realizada fora do quinhão, pagando uma tarifa de 26,4%, o que impacta diretamente nas margens da cadeia carnífera.
Segundo pudemos saber em Valor Agro, Paraguai entende que tem possibilidades de acessar uma cota exclusiva, principalmente pelo bom relacionamento político com Estados Unidos, em um cenário onde a diplomacia comercial volta a desempenhar um papel determinante.
O antecedente mais próximo que alimenta essa expectativa é o caso da Argentina, que conseguiu ampliar sua cota de exportação de 20.000 para 100.000 toneladas após gestões bilaterais. Uruguai, por sua vez, conta com um quinhão exclusivo de 20.000 toneladas, também livre de tarifa.
A obtenção de um contingente próprio permitiria a Paraguai administrar estrategicamente seus envios, melhorar preços e reduzir custos de acesso, gerando um impacto econômico potencialmente milionário. Além disso, poderia se traduzir em melhores valores para o gado, na medida em que a indústria consiga capturar essa melhora de competitividade.
O contexto internacional reforça a oportunidade. Estados Unidos atravessa um cenário de forte demanda de importação, com o rebanho bovino mais baixo em mais de 60 anos e preços do gado que superam os US$ 8 por quilo. A isso se soma uma queda em suas exportações e uma estratégia focada em importar carne a menor custo para conter a inflação interna.
Outro ponto-chave na estratégia é o papel dos grupos de lobby e da diplomacia comercial. Paraguai já conta com antecedentes recentes de defesa bem-sucedida no mercado norte-americano, quando há aproximadamente um ano e meio conseguiu reverter tentativas de restrição impulsionadas por produtores estadunidenses.
Agora, de acordo com a informação que acessamos em Valor Agro, esses mesmos canais serão fundamentais para avançar na negociação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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