Paraguai busca fortalecer o desenvolvimento humano segundo novo relatório do PNUD
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) apresentaram ontem na Casa da Integração o Relatório Regional de Desenvolvimento Humano "Sob pressão: Recalibrando o futuro do desenvolvimento na América Latina e no Caribe", que analisa a situação do Paraguai no contexto regional.
O documento indica que o Paraguai faz parte do grupo de países de renda média-alta da América Latina que, apesar de registrar melhorias pontuais, enfrenta o desafio de traduzir seu nível econômico em um desenvolvimento humano mais sólido e equitativo.
Panorama regional e nacional
O relatório regional assinala que os progressos em saúde, educação e renda registrados nas últimas décadas desaceleraram notavelmente desde meados da década de 2010. O crescimento anual do Índice de Desenvolvimento Humano caiu de 0,7% nos anos noventa para 0,2% no período mais recente.
No Paraguai, o panorama apresenta características similares ao contexto regional. O país integra o grupo de economias de renda média-alta, mas a elevada desigualdade representa um desafio para que esse status se traduza em maiores níveis de desenvolvimento humano. Uma proporção significativa da população se situa logo acima da linha de pobreza, com risco de ser afetada diante de situações externas adversas.
Brecha digital como oportunidade de melhoria
Uma das áreas identificadas para o fortalecimento é a digital. Embora a conectividade tenha melhorado, existe uma diferença de acesso à internet segundo nível de renda: os lares do quintil mais alto têm acesso substancialmente maior que os do quintil mais baixo. A brecha urbano-rural também representa uma oportunidade de desenvolvimento para uma parte importante da população.
Políticas sociais em andamento
O ministro de Desenvolvimento Social, Miguel Tadeo Rojas, destacou durante o evento que a redução da pobreza registrada este ano responde a políticas sociais concretas, entre elas:
• O programa Tekoporã Mbarete, que chega a mais de 196.000 famílias
• Fome Zero, que beneficia cerca de 1.050.000 estudantes
• A universalização da pensão para idosos
No entanto, o relatório sublinha que a renda por si só requer complementar-se com a redução de brechas estruturais para garantir maior bem-estar.
Enfoque em resiliência e inclusão
Durante o painel, a analista de Desenvolvimento Inclusivo do PNUD, Ofelia Valdez, apresentou os dados regionais, enquanto representantes das instituições organizadoras coincidiram na necessidade de colocar a resiliência como eixo central das políticas públicas.
A gerente de Gênero, Inclusão e Diversidade da CAF, Ana María Baiardi, destacou que a inclusão de gênero, deficiência e diversidade étnico-racial deve ser transversal nas estratégias de desenvolvimento. Por sua vez, o vice-ministro de Políticas Sociais, Carlos Paris, mencionou o acompanhamento sociofamiliar dos programas Tekoporã Mbarete e Proeza como exemplos de ações orientadas a fortalecer a resiliência.
Perspectivas e oportunidades
A coordenadora residente das Nações Unidas no Paraguai, Hanny Cueva-Beteta, encerrou o encontro lembrando que "as oportunidades estão aí", mas requerem visão, alianças e decisão coletiva para se traduzirem em políticas sustentáveis.
O relatório estabelece um roteiro claro para o Paraguai: o fortalecimento da infraestrutura digital e climática, junto com a consolidação da confiança institucional e a redução efetiva das desigualdades estruturais, constituem elementos-chave para consolidar os avanços em desenvolvimento humano de maneira sustentável.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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