Para o setor privado, macro ainda não chega aos bolsos das pessoas
A discussão sobre se o crescimento macroeconômico chega efetivamente à microeconomia; ou seja, ao bolso das famílias e às vendas das empresas, continua dividindo opiniões no Paraguai. Porém, desde o setor privado, na sua maioria, concordam que o impacto ainda é limitado ou inexistente.
Nesse sentido, o presidente da Federação Paraguaia da Micro, Pequena e Média Empresa (Fedemipymes), Luis Tavella, afirma que o suposto transbordamento da macroeconomia "está somente nos livros", e que apesar da estabilidade e do crescimento das exportações, isso não se traduz em maior atividade para as empresas.
"Pelo menos estes últimos anos a macroeconomia se manteve estável, conseguiu-se um logro muito importante, aumentou-se a exportação de produtos, sempre falando de produtos do campo, tudo o que seja agricultura e pecuária, e o setor industrial, alguns nichos de mercado também. Então, hoje podemos falar e sustentar que a macroeconomia goza de boa saúde, mas isto nunca transbordou para a micro", aponta.
Para Tavella, em contrapartida, as vendas estão caindo desde o ano passado e tal queda inclusive se intensifica durante este 2026.
"Vimos arrastando uma queda nas vendas desde o segundo semestre do ano passado. Este ano está mais marcada a falta de dinheiro na rua. Há menos vendas porque não existe este grande circulante ao qual estamos acostumados", lamenta.
A falta de pagamentos do Estado às construtoras e farmacêuticas, cujas dívidas giram em torno de USD 1.500 milhões, limita o circulante e golpeia diretamente as vendas. Ele adverte sobre efeitos concretos como o desabastecimento de medicamentos nos hospitais.
Nesse contexto, também critica a pretensão do Governo de manter a meta do déficit fiscal em 1,5% do produto interno bruto (PIB), o que, conforme seu critério, "já é insustentável".
Com respeito a este front fiscal que aparece como um determinante sobre a economia também se havia pronunciado dias passados Puente Casa de Bolsa, ressaltando que a capacidade do Governo para administrar o pagamento destas obrigações sem comprometer a meta fiscal será fundamental para definir a margem de manobra ao longo do ano.
Para o comerciante Francisco Ferreira, que há 20 anos comercializa insumos eletrônicos na rua Palma de Assunção, as melhorias não se veem; os investimentos públicos não se refletem nas ruas, e existe um "abandono total" por parte do Estado.
"O presidente é uma cara de pau. Porque se você fala de investimentos, tem que se refletir mais ou menos no pavimento, na calçada, na iluminação, coisa que não acontece. Eu estou a diário e não vejo melhorias", afirma.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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