Para especialista, Peña "desperdiçou" seus primeiros 3 anos de governo
O economista e pesquisador Luis Rojas afirma que os três anos de Governo de Santiago Peña significaram a continuidade do modelo agroexportador, com pouca industrialização e escassa diversificação econômica. A seu critério, manteve-se um sistema político "clientelar e prebendário" que não responde adequadamente às necessidades sociais.
Nesse sentido, afirma que o Governo "desperdiçou" este período para realizar reformas estruturais, apesar de contar com o controle de todos os poderes do Estado e um forte apoio externo.
"Tinha o controle do Executivo, das duas câmaras do Congresso com maioria própria do Partido Colorado, e tinha ainda o apoio do Poder Judiciário, setores empresariais, inclusive do governo de Trump e de Taiwan, com tudo isso não conseguiu melhorar a saúde econômica das finanças públicas nem impulsionar mudanças", lamenta.
O especialista questiona também a falta de reformas tributárias para elevar a pressão fiscal, e que, apesar da falta de uma melhora nos ingressos e do aumento da dívida pública, o Governo não controlou melhor os gastos.
"O Governo tem sérios problemas em matéria fiscal, não se incrementou de maneira importante a pressão tributária, apenas marginalmente. O que sim aumentou foi a dívida. Incrementou quase USD 5.400 milhões em três anos, (...) pelo qual se tem que pagar cada vez mais juros", sustenta.
A análise de Rojas destaca que também não aumentaram de maneira significativa o investimento público e o gasto destinado a áreas prioritárias, razão pela qual persistem as grandes deficiências em educação, saúde, infraestrutura, habitação, pesquisa, inovação, emprego, apoio às pequenas e médias empresas e à agricultura familiar campesina.
Sustenta que, como consequência deste escasso investimento, a produtividade laboral continua sendo uma das mais baixas da região, sem atingir nem mesmo a metade da produtividade de Argentina ou Brasil.
Entre outros problemas que também se mantêm nesta administração, falou da informalidade, estimada acima de 60%, e da baixa cobertura previdenciária.
"O Governo atual perdeu três anos valiosos de impulsionar a produtividade e o investimento. Paraguai segue sendo o país com a maior informalidade laboral, com 62-63%; baixíssima cobertura na seguridade social, menos de 25%; baixíssimo investimento em saúde, 3% do PIB; baixíssimo investimento em educação, 3,5% do PIB. Em termos fiscais ao menos não cumpriu, projeta um déficit maior ao que prometeu. O Governo se equivocou ou mentiu para conseguir qualificações internacionais, mas as finanças públicas estão em uma situação crítica e a situação social ainda mais", adverte.
Finalmente, menciona os elevados preços dos alimentos, do combustível e do transporte, somados à falta de políticas públicas para recuperar a qualidade de vida e o poder aquisitivo da população.
"Os dois anos que restam lamentavelmente já serão em contexto eleitoral e já a prioridade não será, como também não foi neste primeiro período, a qualidade de vida da população", conclui.
5.380,7 milhões de dólares a mais se endividou o Governo de Santiago Peña desde sua posse.
223,2 milhões de dólares cresceu o pagamento de juros de 2023 a 2025, um crescimento de 27,1%.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.