Os trabalhadores têm direito de crescer com a economia que tornam possível
Enquanto isso, o PIB atual triplica em tamanho ao de 1980. Este contraste resume um problema constante: a economia cresce, mas esse crescimento não se traduz proporcionalmente em rendas trabalhistas.
Mas observemos um período mais próximo. O Paraguay mostrou crescimento econômico, aumento da ocupação e uma taxa de desemprego historicamente baixa. Se nos guiamos pela intuição, poderia assumir-se que crescimento econômico e criação de emprego deveriam traduzir-se numa melhora do bem-estar dos trabalhadores. No entanto, essa relação não é automática.
Há duas formas de analisar esta questão: desde a economia em seu conjunto e desde o que ocorre com os salários.
Definamos a produtividade trabalhista, em termos simples, como o valor que produz um trabalhador em sua jornada. O aumento desta variável –junto com o capital e a tecnologia– é o que faz com que o PIB cresça. Em geral, o salário real médio depende da produtividade trabalhista e se reflete na proporção da renda total que vai às remunerações. A nível macro, o que nos mostram as contas nacionais é que, desde 2017 em diante, a produtividade aumentou, mas a participação salarial não mostrou a mesma melhora. Numa economia que funciona como caberia esperar, os salários deveriam acompanhar ao menos parcialmente esse processo.
A nível dos dados de emprego, vemos que o poder aquisitivo dos salários permanece invariável ao menos desde 2017. Num cenário ideal o poder aquisitivo deveria crescer. Isso sugere que os trabalhadores não estão capturando os benefícios desse crescimento. A evidência aponta de maneira consistente nessa direção.
Nesta época, costuma reabrir-se a discussão sobre o salário mínimo. O setor empregador objeta os aumentos sinalizando que se incentivam o desemprego e a inflação. Estes argumentos eram dogma nos anos 80 e 90. Mas a literatura mais recente se encarregou de rebater essa visão. Hoje sabemos que o efeito depende do nível do salário mínimo, a magnitude do aumento, o ciclo econômico, estrutura setorial, etc. Na prática, o impacto sobre a inflação geral costuma ser transitório e limitado. Isso é assim porque, na realidade, as empresas absorvem parte do aumento reduzindo margens de lucro, melhorando a produtividade ou outros ajustes internos.
Mas o que diferencia a discussão atual das mantidas em períodos anteriores é que ao que parece hoje existe um consenso entre as autoridades de que o atual método de ajuste não captura a variação do custo de vida de um trabalhador típico. Uma oportunidade que não se deve desperdiçar.
É por isso que a nova proposta deve necessariamente substituir o IPC por outro indicador de preços mais representativo, adicionar um componente que capture a produtividade e se possível outro fator que permita recuperar gradualmente o atraso histórico, se queremos que o salário reflita melhor a realidade econômica do trabalhador.
E o que sucede com aqueles que não chegam ao mínimo? Pois a evidência mostra que o salário mínimo atua como uma âncora de referência que eleva a remuneração dos setores de menores rendas.
Finalmente, é justiça reivindicar, neste 1º de maio, que os trabalhadores devem receber os frutos de sua produtividade no trabalho. Se a produtividade cresce, os salários também deveriam fazê-lo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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