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Paraguai

Os guardiões da posta

12/05/2026 11:00 4 min lectura 6 visualizações

O recente logro do Grau de Investimento não é um troféu para as vitrines do poder político, mas um certificado de qualidade para nossa burocracia técnica. No BCP e no MH, essa qualidade institucional não é fruto do acaso; está sustentada por processos de contratação competitivos e concursos externos rigorosos que blindam o ingresso frente às pressões externas. A isto se somam políticas de capacitação sustentadas que permitiram que muitos desses funcionários realizem estudos de pós-graduação nas melhores universidades do exterior, retornando ao país com uma visão global e ferramentas de vanguarda. O resultado é uma burocracia altamente competitiva, comprometida e com uma mística de serviço que permitiu ao país enfrentar e superar tempestades que teriam afundado economias muito maiores e diversificadas.

Ao longo destes últimos 25 anos, o Paraguai enfrentou desafios sistêmicos: quedas de bancos que ameaçavam a poupança nacional, episódios de default seletivo e choques globais como a crise de 2008 ou a recente pandemia. Se conseguimos sair à tona e com uma moeda fortalecida, foi graças a quadros técnicos que tiveram a coragem de dizer "não" quando a pressão política pedia soluções fáceis, mas irresponsáveis. Esse "não" técnico, baseado no rigor e não no capricho, é o que hoje permite que o guarani seja uma das moedas mais antigas e estáveis da região, um patrimônio que pertence a todos os paraguaios.

Contudo, é de estrita justiça dizer que o funcionário capacitado, íntegro, competente e valente não é patrimônio exclusivo dessas duas entidades. Ao longo de minha trajetória no serviço público, os encontrei na carreira pública. Os encontrei na complexidade técnica de Itaipu, os encontrei aos montes na labor sacrificada do IPS e os encontrei no MH, o que teria sido sem eles na pandemia, é uma pergunta que me faço com frequência, e os percebi com clareza em meus diálogos diários com os quadros técnicos dos diversos ministérios do Poder Executivo. O talento, a preparação e o compromisso existem em todo o tecido do Estado paraguaio; o desafio fundamental e urgente é que a autoridade que assuma a liderança tenha a agudeza para identificá-los, a generosidade para ouvi-los e, sobretudo, a coragem política para capacitá-los.

Neste sentido, devemos revalorizar o processo de tomada de decisões. Atrás de cada resolução transcendental que mudou o rumo do país, ou o corrigiu, existiu um estudo profundo, técnico e analítico. A vontade da autoridade não nasce nem deve nascer no vácuo; forma-se e nutre-se de um expediente administrativo que é a verdadeira "cozinha" da política pública. Quando esse expediente contém análises claras, dados precisos e opções viáveis, a decisão da autoridade se torna valiosa e pertinente. É aí que o saber técnico e o investimento que o Estado fez na formação de sua gente dão seus melhores frutos: O conhecimento convertido em bem-estar social.

São eles os custódios da memória institucional e os arquitetos silenciosos de nossa estabilidade. Demonstraram que a verdadeira soberania se defende com formação, integridade e mérito, não com consignas vazias. São a prova de que no Paraguai a meritocracia é o motor mais potente para o desenvolvimento. Não apenas gerem expedientes, mas também gerem a esperança e a confiança de milhões de compatriotas que dependem de seu rigor.

Frequentemente me pergunto: E se essa qualidade institucional se multiplicasse em todo o Estado? Se conseguirmos que a saúde, a educação e a justiça deixem de ser despojos da conjuntura para se converterem em carreiras de postas lideradas por esses funcionários valentes que já estão em nossas fileiras, o impacto seria simplesmente revolucionário. Passaríamos de ser um país estável a ser um país imbatível.

Já temos o "modelo de sucesso" dentro de casa. O desafio é e...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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