Os demissões em massa por IA no setor tecnológico abalam o Silicon Valley da Índia
O epicentro da jornada se situa nos centros tecnológicos do país como Bangalore, conhecida como o "Silicon Valley" da Índia, e Hyderabad, onde as grandes empresas de tecnologia demitiram nas últimas semanas milhares de trabalhadores para investir em ferramentas de IA.
O vice-primeiro-ministro do estado sulista de Karnataka, D.K. Shivakumar, alertou nesta sexta-feira que a IA poderia provocar um corte de até 50% dos postos de trabalho no setor de informática do país.
"Quando começarem a ver o impacto da IA, haverá um corte de 50% dos postos de trabalho. Isso representará um grande desafio para a vida cotidiana e para o emprego em todo o setor em Bangalore e em diferentes partes do país", declarou Shivakumar em um evento empresarial.
O índice Nifty IT, que agrupa as maiores empresas de software da Índia, caiu cerca de 20% no que vai do ano, após registrar em abril sua pior semana desde o início da pandemia em 2020, apagando cerca de 30.000 milhões de dólares em capitalização de mercado.
Analistas na mídia mencionam que um dos alarmes mais graves é que a IA possa transtornar o modelo de subcontratação da Índia, avaliado em 300.000 milhões de dólares segundo NASSCOM, e ao qual as grandes empresas de todo o mundo recorrem há anos.
A onda de cortes em multinacionais em nível global, que segundo o portal especializado Layoffs.fyi provocou a demissão de mais de 90.000 trabalhadores no que vai do ano, atingiu com força a Índia, onde muitas companhias têm bases de trabalhadores maiores que nos Estados Unidos.
Relatórios da mídia local estimam que cerca de 12.000 funcionários da Oracle (que demitiu massivamente cerca de 30.000 trabalhadores em todo o mundo segundo dados oficiais) já foram demitidos no país asiático.
Em fevereiro, Nova Delhi sediou a Cúpula de Impacto da IA 2026, que reuniu líderes globais da indústria tecnológica do Google, OpenAI, Nvidia ou Microsoft, como Sam Altman, Demis Hassabis ou Sundar Pichai.
"A IA representa uma transformação da mesma magnitude que as grandes viradas da civilização humana, e a Índia está pronta para ser seu eixo central (...) como lar de um sexto da humanidade e do maior banco de talento tecnológico", declarou então o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
A reestruturação do setor coincide com a entrada em vigor, no passado 1º de abril, de uma reforma trabalhista que flexibilizou as condições de contratação e demissão de trabalhadores.
A nova normativa elimina obstáculos burocráticos que permitirão que empresas de até 300 funcionários realizem demissões coletivas sem necessidade de autorização prévia do Governo, um privilégio que antes estava limitado a companhias de menos de 100 trabalhadores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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