Os atrasos em obras da ANDE colocam em xeque o desenvolvimento nacional
O Paraguai encontra-se à beira de uma crise energética que ameaça diretamente sua competitividade e crescimento econômico a curto prazo. O consumo elétrico local experimentou um incremento desproporcional de 21 por cento apenas nos primeiros quatro meses do ano, superando as previsões oficiais. Esta situação expõe um iminente déficit de geração que poderia transformar uma vantagem histórica do país em um freio para o desenvolvimento.
A Administração Nacional de Electricidade (ANDE) enfrenta um atraso crítico na execução de seu Plano Maestro de Obras, segundo se aponta desde o setor técnico. As projeções indicam que a demanda atual já alcançou os níveis que se esperavam apenas para o ano 2027. Isto provoca que projetos fundamentais em transmissão e distribuição operem fora do cronograma. Um panorama similar se registra nos planos de novas fontes de geração de energia.
O principal obstáculo para acompanhar este ritmo da demanda é o financiamento. Para sustentar o crescimento, o país requer um investimento médio de USD 900 milhões anuais durante uma década. Contudo, os investimentos atuais são de aproximadamente USD 340 milhões (em transmissão e distribuição).
O Paraguai esgotaria todo seu excedente energético proveniente de Itaipu e Yacyretá para o ano 2029 ou ainda antes em caso de fatores climáticos adversos. Este adiantamento do limite energético exige medidas drásticas e imediatas para evitar um estancamento no aparato produtivo nacional, explicou o engenheiro Fabián Cáceres, ex gerente técnico da ANDE.
"A ANDE está muito distante dos prazos de seu planejamento. Há obras de geração que deveriam ter entrado em funcionamento em 2025. Urgemobras de transmissão, o sistema fica cada vez mais frágil. Com o tempo, resolver tudo isto será mais caro. Um dos problemas da ANDE é sua saúde financeira, desde 2021 vem com números negativos. Um dos problemas é a tarifa, não há uma tarifa técnica", disse.
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Urgência. Diante desta conjuntura, a diversificação da matriz energética e a incorporação de novas fontes de geração se tornam impostergáveis. O país já apresenta atrasos na construção de centrais solares e pequenas hidrelétricas, requerendo incorporar a capacidade de múltiplas represas a cada ano a partir da próxima década.
Por sua vez, o engenheiro Pedro Ferreira, ex presidente da ANDE, foi taxativo ao advertir sobre uma importante lacuna no plano de execução de obras da instituição elétrica. "O exemplo mais claro é a linha de 500 kV Itaipu – Valenzuela, que já deveria ter terminado. Este é um caso grave no que se refere a transmissão", sublinhou.
Ferreira explicou que estes atrasos são consequência direta das deficiências financeiras estatais, detalhando que o plano maestro de transmissão e geração demanda aproximadamente 900 milhões de dólares anuais. Ante este cenário, enfatizou que a estrutura tarifária da ANDE deve gerar os recursos necessários para assegurar investimentos.
O presidente da ANDE, Félix Sosa, admite que ainda que os investimentos em infraestrutura tenham se incrementado durante os últimos anos, estes valores estão distantes do "ótimo". O funcionário informou que os investimentos anuais estão em USD 350 milhões e destacou que se iniciou o processo para as primeiras obras privadas em geração.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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