Organizações pedem retirada de projeto que permite explorar Parque Médanos do Chaco
Diversas organizações da sociedade civil apresentaram notas à Câmara de Deputados em rejeição ao projeto de lei que permite a exploração do Parque Médanos do Chaco, atualmente com status de área protegida. Até o momento, o projeto recebe parecer de aprovação por parte da Comissão de Energia e Mineração da Câmara Baixa.
Após o fracasso em 2023 pela pressão cidadã, o deputado José Rodríguez voltou a apresentar recentemente um projeto que modifica os artigos 4 e 6 da Lei nº 5723 que declara área silvestre protegida o Parque Médanos do Chaco. Novamente, a iniciativa acumula a rejeição de ambientalistas e organizações.
Uma das organizações que apresentaram uma nota ao Congresso foi Tierraviva a los Pueblos Indígenas del Chaco, assinada pela coordenadora Executiva Lidia Ruiz Cuevas, e dirigida ao autor do projeto, onde solicita que retire e arquive o documento que já passou por uma audiência pública entre pronunciamentos a favor e contra da exploração de gás neste território.
A organização menciona que o parque atua como uma importante "zona núcleo" ecológica dentro da Reserva da Biosfera do Chaco, a qual foi incorporada à Rede Mundial de Reservas da Biosfera da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Nesse sentido, abriga uma grande biodiversidade, sendo o único habitat do guanaco chaqueño, bem como da onça-pintada, uma espécie em perigo crítico, mas além disso representa uma barreira natural que protege o Aquífero Yrenda.
Quanto ao seu impacto na vida humana, Tierraviva recorda que o parque é habitat tradicional dos povos indígenas Ayoreo e Guaraní Ñandéva, reconhecidos como povos preexistentes ao Estado paraguaio.
Algumas das famílias vivem em isolamento voluntário em seu território ancestral sustentando-se segundo seus modos tradicionais de vida, conforme o direito de autodeterminação dos povos indígenas.
Nesse sentido, a organização questiona que não houve consulta livre prévia informada em um marco de construção da proposta que reflita a participação dos povos indígenas na tentativa dessa grave modificação. A respeito, menciona que se requerem medidas de proteção reforçada ante o risco de deslocamento, contato forçado e afetações irreversíveis à sobrevivência física e cultural dos grupos indígenas, como já havia advertido a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
"Apelamos à consciência legislativa no fato de considerar que as intenções de 'desenvolvimento' do setor privado 'produtivo' não têm redundado historicamente em benefício dos setores vulnerabilizados; sendo totalmente o contrário, já que o avanço da desertificação, da agrogaricultura expansiva, a falta de políticas para superar a carência de água potável e o despojo de terras e territórios ancestrais têm provocado maiores extremos de pobreza e exclusão dos Povos Indígenas no Paraguai", assinala a nota.
Para Tierraviva, o argumento da falta de condições estruturais para o desenvolvimento da zona é uma "desculpa vazia, carente de significado e de valor para os povos indígenas em condições de desigualdade, exclusão econômica e discriminação". Em contrapartida, indicou que os setores empresariais poderão continuar acumulando.
Outras organizações que apresentaram notas no mesmo sentido foram a Coordenadora de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy), a Rede de Organizações não Governamentais Ambientalistas do Paraguai (ROAM), Sobrevivencia, Pojoaju e GreenTour.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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