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Paraguai

Organizações ayoreo apresentam denúncia por tala ilegal de palo santo nos Médanos do Chaco

02/10/2026 05:45 3 min lectura 18 visualizações

Denúncia formal e gestões realizadas

A União de Nativos Ayoreo do Paraguai (UNAP), junto com representantes da Associação Garaigosode do Povo Ayoreo (AGPA) e da Associação Guidaigosode e Ducodegosode Ayoreo do Paraguai (Agdap), apresentaram uma denúncia em 12 de março deste ano perante o Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades) por atividade de tala na zona.

As organizações solicitaram uma inspeção urgente na área afetada, assim como a implementação de medidas cautelares para deter a atividade e garantir a proteção do território.

A resposta institucional se concretizou seis meses após a apresentação formal da denúncia, quando uma delegação do Mades se deslocou até a área indicada. Os referentes ayoreo apontaram que a inspeção teria sido realizada sem o acompanhamento de representantes de suas organizações, apesar de existir um acordo prévio para levar adiante uma intervenção conjunta.

Características e proteção do palo santo

O palo santo (Plectrocarpa sarmientoi, anteriormente identificado em muitos registros como Bulnesia sarmientoi) é uma espécie característica do Chaco que se encontra sob proteção devido à pressão gerada por sua exploração comercial.

A espécie figura na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como ameaçada e está incluída no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), o que estabelece controles para seu comércio internacional.

Sua madeira é altamente valorizada por sua resistência, dureza e seu aroma particular, sendo utilizada principalmente na produção de óleos essenciais, artesanatos e trabalhos de marcenaria.

Impacto ambiental e territorial

As organizações indígenas alertam que a extração ilegal dentro de uma zona núcleo de conservação afeta não somente a biodiversidade do Chaco, mas que também poderia facilitar o ingresso de madeira de origem ilícita em cadeias comerciais internacionais.

A denúncia por tala ilegal soma-se a outros questionamentos relacionados com o futuro do Parque Nacional Médanos do Chaco, um território considerado estratégico por sua riqueza natural e cultural, onde também existem debates sobre projetos de prospecção e exploração de recursos naturais.

Para as organizações ayoreo, a proteção da área requer uma maior presença estatal e controles efetivos que permitam evitar atividades ilegais dentro da reserva.

Conservação e direitos de povos originários

Os representantes indígenas sustentam que a conservação do território implica proteger espécies únicas do Chaco, assim como garantir o respeito aos povos originários que mantêm uma relação histórica com estes espaços.

As organizações esperam que a intervenção do Mades permita determinar a magnitude do dano ambiental, identificar os responsáveis pela extração e estabelecer medidas para evitar que a tala continue dentro da área protegida.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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