O voto e seus eleitores: reflexões sobre a política e o sujeito político
A política além do poder e seus ganhos
Atualmente, a política parece se focar no poder e seus benefícios materiais, deixando de lado propostas substanciais. O que predomina é o interesse em alcançar a vitória eleitoral, sem atender ao conteúdo nem aos discursos que fundamentem as decisões públicas.
Porém, este não é um fenômeno exclusivamente local. Em nível global, cresce a desconfiança em relação aos poderes políticos, mas simultaneamente aumenta o interesse cidadão em influir na política. Embora pareça contraditório, essa aparente paradoxo tem explicação na necessidade de recuperar a relevância da política como instrumento de mudança social.
Recuperar o sujeito político
Seguindo o pensamento do filósofo francês Jacques Maritain, o fundamental não é simplesmente vencer nas eleições nem fortalecer unicamente a estrutura democrática, mas recuperar o sujeito da política. É necessário restituir no centro do debate político seus verdadeiros protagonistas: as pessoas concretas, com suas aspirações e necessidades reais, suas realidades existenciais e sua dignidade inerente.
A atividade do Estado deve estar conectada com a atividade social e pessoal dos cidadãos, considerando que o ser humano é mais que um indivíduo em busca de sucesso pessoal. O eleitor é uma pessoa, dotada de inteligência, vontade e liberdade, não apenas um consumidor de políticas públicas.
Para além do individualismo e do materialismo
Maritain destacava que o ser humano experimenta uma tensão inerente: é um indivíduo que compete e busca sucesso, mas também vive em uma sociedade que exige altruísmo. Essa paradoxo torna difícil praticar a virtude ao mesmo tempo em que se alcança o sucesso individual em uma sociedade que, simultaneamente, demanda bondade sem ensiná-la nem recompensá-la.
Se o sujeito político é uma pessoa com dimensões espirituais, sociais, racionais, emocionais e físicas, isso implica que os governantes devem reconhecer a complexidade humana. O cidadão não é um simples átomo isolado que deva ser controlado como uma massa. É uma pessoa livre, cujo desenvolvimento integral deve ser o objetivo do Estado.
O Estado como instrumento a serviço do bem comum
Conforme Maritain, o Estado não é um sujeito de direitos absoluto nem um fim em si mesmo. É um instrumento a serviço do corpo político e da realização do ser humano e da sociedade. Portanto, apresentar os candidatos como ídolos a quem render vassalagem é um engano e uma deformação da política.
O desenvolvimento real exige que os governantes reconheçam seu papel subsidiário e promovam as agrupações livres nas comunidades: famílias, associações, clubes e sindicatos. Fazer comunidade é o passo fundamental em direção a um desenvolvimento genuíno, não reduzido a cifras econômicas nem a obras materiais.
Humanismo integral e bem comum
Não é possível reduzir o sujeito político a um simples agente econômico. O Humanismo Integral de Maritain advoga pela atenção ao bem comum, entendido como um desenvolvimento moral da comunidade, pluralista e orgânico, cuja soberania nasce de baixo para cima, a partir das pessoas e de suas comunidades.
A política está intrinsecamente unida à ética. Não é unicamente uma técnica de dominação nem um resultado do marketing, mas um espaço onde realmente se pode fazer o bem e evitar grandes males, desde que cumpra seu papel subsidiário sem passar por cima das pessoas, das famílias e das comunidades.
Fundamentos para uma política a serviço das pessoas
Recuperar o sujeito político exige que as decisões de governo se fundem nos direitos humanos, na lei natural e em sentimentos positivos que tornam possível a convivência, como a solidariedade e o respeito. Apenas assim a política recuperará seu sentido mais profundo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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