O Vaticano declara a excomunhão de bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X
Decisão sobre a fraternidade ultraconservadora com sede na Suíça
Decisão do Vaticano sobre a fraternidade ultraconservadora
O Vaticano anunciou a excomunhão de vários hierarcas de uma fraternidade católica com sede na Suíça que participaram em um ato de natureza cismática durante a consagração de bispos sem consentimento do papa León XIV.
O decreto também declara a excomunhão dos fiéis católicos que participem formalmente na Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), um grupo ultraconservador também conhecido como os lefebvrianos, que havia anunciado a consagração dos bispos em desafio da autoridade católica de Roma.
Alcance da medida disciplinar
A FSSPX, com sede na Suíça, tem cerca de meio milhão de fiéis que poderiam estar em risco de serem afetados formalmente por esta medida. A excomunhão representa um dos castigos mais severos que a Igreja pode impor, já que expulsa efetivamente o infrator da religião e o exclui da vida católica.
O Dicastério para a Doutrina da Fé, a máxima autoridade de vigilância doutrinária do Vaticano, assinalou que o bispo Alfonso de Galarreta foi excomungado por ter cometido um ato de natureza cismática mediante a consagração episcopal de quatro presbíteros, sem mandato pontifical e contra a vontade do sumo pontífice.
Hierarcas e indivíduos afetados
Junto a Galarreta foram também excomungados o bispo coparticipante Bernard Fellay, assim como os presbíteros que foram consagrados pela FSSPX: o suíço Pascal Schreiber, o estadunidense Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier.
O Vaticano advertiu que clérigos e fiéis leigos que se somem ao cisma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X incorreriam na pena de excomunhão de ofício. Posteriormente, esclareceu que nem todos os membros seriam excomungados automaticamente, mas sim aqueles que participam habitualmente nas celebrações da FSSPX e compartilham formalmente suas posições doutrinarias.
Antecedentes e contexto histórico
A FSSPX rejeita o Concílio Vaticano II, uma histórica reunião de bispos no Vaticano na década de 1960 que impulsionou uma série de reformas para a Igreja mundial. Entre as mudanças mais significativas esteve permitir que a missa, até então celebrada apenas em latim, se oficiasse em línguas locais.
A Fraternidade rejeitou esta mudança, alegando o desejo de preservar o sentido de mistério e formalidade do rito latino. O Concílio também buscou reparar as relações da Igreja com os judeus e com outras denominações cristãs.
Esforços prévios de reconciliação
Em uma nota explicativa, a Igreja assinalou que no passado houve múltiplas tentativas de reintegrar aos membros da fraternidade iniciada pelo arcebispo Marcel Lefebvre à plena comunhão com a Igreja católica. Contudo, tais esforços resultaram infrutíferos.
A nota acrescenta que a situação se viu agravada pelas recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato papal, contra a vontade do Santo Padre e em violação do direito canônico. O Dicastério considerou necessário assinalar que este ato constituiu o crime de cisma, com consequências canônicas para os ministros sagrados e os fiéis leigos envolvidos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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