"O silêncio oficial é total": Advogada critica o Governo por polêmicas declarações de Lula sobre o Paraguai
"O 'gigante adormecido' já cansa como discurso", escreveu inicialmente Pérez, em alusão às recorrentes mensagens das autoridades paraguaias sobre o potencial do país, apesar das dificuldades que persistem em distintas áreas.
"Ouvimos em cada ato, em cada balanço econômico, até pintamos no avião presidencial rumo ao Mundial: 'Paraguai. O ressurgimento de um gigante'. Palavrório patriótico à ordem do dia, pronto para qualquer ocasião festiva", expressou.
A advogada vinculou essa crítica com a ausência de uma postura oficial após as declarações de Lula, que recordou a Guerra contra a Tríplice Aliança durante um discurso em que defendeu o investimento nas Forças Armadas brasileiras.
"A nós nos agrada a paz, mas não podemos esquecer que, um bom dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos", manifestou o mandatário brasileiro.
Lula fez referência à Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), o maior conflito bélico da América do Sul, no qual Brasil, Argentina e Uruguai conformaram uma aliança militar contra o Paraguai.
Através de suas redes sociais, Cecilia Pérez questionou que até o momento não exista um pronunciamento do Ministério de Relações Exteriores nem de outras autoridades do Estado paraguaio.
"Quando o presidente do Brasil relativiza a Tríplice Aliança — a mesma guerra que se invoca como origem dessa 'grandeza truncada', a que nos custou a imensa maioria de nossa população —, o silêncio oficial é total. Nem uma palavra, nem um reclamo, nem uma linha da Chancelaria", manifestou.
A profissional do Direito sustentou que os heróis paraguaios não morreram para serem utilizados unicamente em discursos oficiais ou símbolos patrióticos.
"Morreram defendendo uma soberania que hoje, quando de verdade faz falta defendê-la, não encontra quem a represente com a mesma firmeza do relato. O patriotismo não se sustenta só no papel nem no ar. Se sustenta nos momentos em que faz falta se posicionar. Este era um deles", afirmou.
Finalmente, Pérez encerrou sua publicação com uma pergunta dirigida ao Governo: "Responde, ou há algo que o impede?".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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