O preço da carne subiu 32,5% em dois anos, expõe o BCP
O Banco Central sustenta que o encarecimento da carne vacuna responde principalmente ao aumento dos preços internacionais e à maior demanda dos mercados externos. Embora o guaraní se tenha fortalecido desde o segundo semestre de 2025, esse efeito não foi suficiente para reverter as altas no mercado local.
O Banco Central do Paraguai (BCP) atribuiu a persistência dos elevados preços da carne vacuna no mercado local ao forte incremento das cotizações internacionais e à crescente integração do setor carníco com os mercados externos, fatores que, segundo a autoridade monetária, tiveram um papel determinante na evolução recente deste produto.
Em um destaque especial do Informe de Política Monetária (IPoM) de junho, o BCP recorda que a carne vacuna representa 23,2% do índice de preços ao consumidor (IPC) de alimentos e 6,2% do IPC total, razão pela qual suas variações têm uma incidência importante sobre a inflação. Além disso, aponta que cerca de 65% da produção nacional se destina à exportação, o que faz com que os preços internos respondam cada vez mais às condições do mercado internacional.
Entre janeiro de 2024 e maio de 2026, o preço implícito de exportação da carne paraguaia aumentou 46,3%, enquanto os preços domésticos acumularam um incremento de 32,5%.
Para o BCP, essa evolução reflete que os frigoríficos e o mercado interno competem pela mesma oferta de gado, trasladando-se gradualmente as maiores cotizações externas por toda a cadeia produtiva e, finalmente, ao consumidor.
Os cortes que mais subiram. Entre os distintos cortes, os maiores aumentos acumulados entre janeiro de 2024 e maio de 2026 corresponderam ao ensopado de segunda (41,7%), à carne magra de segunda (39,9%) e à paleta (38,1%), o que evidencia que o incremento se estendeu de forma generalizada ao mercado varejista.
O informe também destaca que a apreciação do guaraní registrada desde o segundo semestre de 2025 ajudou a moderar o aumento dos preços de exportação medidos em moeda local. Contudo, esse efeito foi compensado pela persistência de elevados preços internacionais, que continuaram sustentando os valores da carne tanto para exportação quanto para o mercado interno.
Além disso, o BCP sustenta que a abertura de novos mercados, como Estados Unidos e Canadá, fortaleceu a demanda pela carne paraguaia, enquanto que a recomposição do rebanho bovino, mediante a retenção de matrizes, limita a disponibilidade de animais para abate e mantém a pressão sobre os preços.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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