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Saúde

O microbioma bucal e intestinal como ferramenta potencial para a detecção de cânceres gastrointestinais

20/08/2026 20:45 3 min lectura 22 visualizações

Investigação sobre micróbios orais e câncer gastrointestinal

Pesquisadores da Universidade de Seul realizaram um estudo para determinar se os micróbios orais chegam ao trato gastrointestinal e persistem nele de forma diferente em pessoas diagnosticadas com câncer.

Metodologia e participantes

A equipe de investigação recrutou 507 voluntários que doaram amostras bucais e fecais. A coorte foi integrada por:

129 pessoas saudáveis
215 com transtornos metabólicos (hipertensão, diabetes tipo 2 ou hiperlidipidemia)
77 com câncer gástrico
86 com câncer colorretal

Índice boca-fezes como marcador

Os pesquisadores utilizaram sequenciamento genético para criar um índice boca-fezes (MF), que mede em que medida se encontram variantes de sequências microbianas idênticas em amostras orais e fecais de uma mesma pessoa. A análise revelou que este índice estava significativamente elevado naqueles com câncer gástrico ou colorretal, mas não em pessoas com transtornos metabólicos.

A associação manteve-se sólida mesmo ao levar em conta o consumo de álcool, a prática regular de exercício e o índice de massa corporal.

Achados relevantes

Segundo a pesquisadora Sun Ha Jee, da Universidade de Yonsei, a presença de bactérias associadas à cavidade bucal no intestino de pacientes com câncer não foi inteiramente inesperada. Porém, o que a equipe não havia previsto foi como o sinal variava entre os distintos grupos de doenças e em que medida podia ser detectado unicamente em amostras bucais.

A equipe comparou as assinaturas encontradas nos pacientes com câncer com os resultados dos testes de sangue oculto nas fezes, uma ferramenta padrão de triagem do câncer colorretal. A análise mostrou maior sensibilidade nas amostras bucais coletadas mediante enxague bucal.

Próximas fases de investigação

Os pesquisadores planejam realizar estudos para validar prospectivamente os achados em pessoas que ainda não tenham recebido um diagnóstico de câncer, bem como incorporar uma sequenciação do metagenoma de maior resolução.

Além disso, analisarão a causalidade do fenômeno: se o aumento da troca microbiana entre a boca e o intestino contribui para o desenvolvimento do câncer, se o câncer cria as condições que permitem que as bactérias bucais permaneçam no trato gastrointestinal, ou ambas as situações.

Segundo o pesquisador Tae Il Kim, da Universidade de Yonsei, antes de que estes resultados possam ser utilizados na prática clínica, seriam necessários estudos clínicos em populações reais submetidas a triagem. Se estes achados forem validados, o próximo passo seria desenvolver um teste não invasivo para a detecção do câncer gastrointestinal.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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