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Economia

O livre mercado

08/06/2026 08:00 3 min lectura 25 visualizações

Também o comprovamos quando os bancos e cooperativas te impõem a venda casada de créditos com seguros (isso é crime no Brasil) da sua própria empresa de seguros, quando os bancos têm mais depósitos que créditos na rua sem competência suficiente em suas taxas ativas, quando vemos que os homens de Estado se enriquecem com recursos públicos, quando gente que trabalhou toda a vida no setor público aparece como homem de negócios e proprietário de estâncias, pregando a livre concorrência, tratando de perdedores os que a batem dia a dia, quando lemos os poucos trechos do chat de Lalo onde se compravam e se vendiam pessoas e personagens.

Nem falar da máfia dos pagarés onde funcionários públicos se faziam milionários extorquindo aos particulares ou quando uma nova operadora de celular relacionada com o poder ganha a licitação 5G pagando uma ninharia em uma disputa onde se impede a livre participação de fornecedoras de equipamentos internacionais. Ninguém se indigna quando a porta giratória de executivos públicos/privados funciona do setor privado ao público e vice-versa, em especial no mercado financeiro, sem pudor algum, nem quando recursos públicos se concentram em determinados bancos coincidentemente com relações pouco claras com o poder político vigente, etcétera infinito.

O risco no Paraguai é que os princípios do livre mercado possam funcionar porque muitos vão perder seus privilégios. Por isso é importante falar e criticar as imperfeições dos mercados, começando pelas do mercado de mercados, o mercado financeiro, seus princípios, os mercados de valores e suas relações e diferenças com o mercado da economia real e os segmentos de renda fixa e renda variável. Além disso, os mercados de dívida, os mercados de investimento externo direto e os mercados de fusões e aquisições de empresas, ainda primitivos no país. Os mercados de valores e os mercados políticos são mercados "overshooting", intuitivos, que reagem exageradamente, são também forward looking, olham o futuro. Os mercados de bens e serviços observam o passado e fazem suas projeções.

Milton Friedman afirma que "tanto no sistema econômico como no sistema político há mercados". Em ambos, há seres egoístas buscando o máximo de benefícios. O sistema de preços, funcionando eficientemente, com transparência, pode colocar limites a essas disfuncionalidades da avareza humana. O arbitragem ganancioso e exagerado da política pode ser restringido pela democracia participativa, a transparência e a competência. Nada a ver no Paraguai.

Eugene Fama refrenda que "os mercados são eficientes quando toda a informação está no preço". John Nash apresenta finalmente seu equilíbrio do medo. Afirma que o mercado funcionaria em equilíbrio ideal se todos os jogadores têm uma estratégia e todos conhecem as estratégias dos demais. Há transparência total. E isso não existe no Paraguai. Os mercados são opacos, muitos são ilegais e os mais dinâmicos são os mercados do crime.

E depois de tudo o anterior, onde a necropolítica escolhe nos mercados quem vai viver e será ganhador, e quem terá que morrer para ser perdedor, neste modelo de capitalismo de compadrio russo, em modo de sequazes, a propaganda eleitoral oficialista nos faz ter medo de que chegue o comunismo ao Paraguai. Saudações cordiais!

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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