O grande desafio do IPS é voltar a servir seus segurados
Nova administração enfrenta crise financeira, déficit de gestão e corrupção
São numerosos os desafios que deve enfrentar a nova administração do Instituto de Previsão Social (IPS). A emergência que deve ser resolvida se divide em crise financeira, déficit na gestão e graves fatos de corruptela. Esta tripla ameaça é a que precisamente tem levado o IPS ao estado em que se encontra.
Recordemos que em março passado foi divulgado o relatório da Controladoria Geral da República, que apontava que o então titular da instituição, Jorge Brítez, havia pago mais de G. 3.000 milhões em gratificações fora da faixa estabelecida, e mais de G. 1.400 milhões em gratificações por responsabilidade a diretores da previdenciária que não se ajustavam à normatização.
Segundo a Controladoria, foram realizadas 29 observações, das quais 25 têm cumprimento parcial e estão em observação.
Em um dos pontos sublinha-se que foram realizados pagamentos por gratificação por grau acadêmico acima do limite legal estabelecido por um total de G. 3.471.200.000. Enquanto a normatização fixa um limite de G. 1.500.000 para este benefício, a Controladoria constatou que o IPS pagou até G. 1.900.000.
Na mesma realidade em que se pagavam milionárias gratificações, os segurados padeciam da falta de medicamentos e insumos. Um dos mais vergonhosos casos se deu há pouco mais de uma semana quando foi divulgado através das redes sociais a história de Miguel Ángel Cabañas, um segurado de 79 anos que todos os dias acorre ao Hospital Central do IPS em busca de um medicamento que não está disponível no Instituto desde há cinco meses.
O senhor Cabañas acorre todos os dias ao IPS esperando a solidariedade dos visitadores médicos para conseguir o medicamento que, comenta, custa entre G. 108.000 e G. 186.000.
"Me siento acá todas las mañanas y cuando pasa un visitador médico le pido porque no tengo plata para comprar. Imposible es".
Lamentavelmente, têm-se quase normalizado as deficiências do Instituto de Previsão Social; por isso se nota a impunidade dos administradores de turno que não resolveram a péssima atenção, as longas esperas para consultas com especialistas ou o simples fato de pedir através do serviço de chamadas.
É vergonhoso que se continue permitindo a falta de medicamentos essenciais e insumos básicos para as intervenções. Recordemos aquele caso de um segurado que contribuiu durante 29 anos, mas não pôde receber uma prótese que lhe era urgente porque o IPS não a tinha.
A má gestão do IPS vai de mãos dadas com a impunidade das administrações que se sucederam desde sua criação há 80 anos, que em sua maioria foram afins ao Partido Colorado.
Menção especial merecem os repetidos casos de negligência que ocorreram. No IPS houve casos de extirpação do membro errado, uma perna, e mais recentemente, a uma mulher diagnosticada com câncer foi extirpada a mama errada e assim como no caso da perna, em ambos os casos se repetiu a operação.
Que se propicie uma mudança radical é a única via possível para recuperar os serviços e a qualidade da atenção aos segurados. IPS requer uma mudança estrutural e isso implica, além de assegurar um manejo transparente dos recursos, melhorar a gestão de forma urgente. Para que este objetivo seja possível, o primeiro passo que se deve dar é que o IPS deixe de ser um saque político para os colorados, paraíso de funcionários de lista e o lugar onde floresce o prebendarismo. Deve-se colocar ponto final à impunidade de quem há décadas vem se aproveitando dos recursos aportados pelos trabalhadores. A instituição deve honrar a quem verdadeiramente são seus donos, os trabalhadores, que com seu esforço sustentam a previdenciária e se merecem ser tratados com respeito.
É hora de iniciar uma mudança estrutural, com uma administração transparente, melhor gestão para que nunca mais um segurado deva mendigar atenção ou...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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