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Paraguai

O financiamento público de cuidados é um investimento, não um gasto

21/06/2026 11:00 4 min lectura 6 visualizações

O financiamento dos cuidados gera retornos econômicos por várias vias tanto no curto quanto no longo prazo. Está amplamente documentado que o bom cuidado nos primeiros anos de vida contribui para o desenvolvimento integral da infância, a permanência na escola e uma vida saudável.

Durante a etapa escolar, se as políticas educativas forem integradas ao sistema de cuidados como a jornada escolar estendida e a alimentação escolar, reduzem a probabilidade de evasão escolar, melhoram as condições para o aprendizado e mantêm os adolescentes em espaços seguros, praticando esportes e afastados de condutas de risco próprias da idade.

Essas condições contribuem para a formação de uma força de trabalho educada e competitiva, capaz de enfrentar os grandes desafios que impõe a globalização econômica e as mudanças cada vez mais rápidas no mundo laboral. O aumento do capital humano gera altos retornos econômicos durante a vida laboral e produtiva.

Os cuidados nas idades adultas previnem acidentes e doenças e reduzem custos no sistema de saúde. Isso é particularmente relevante para um país como o Paraguai no qual avança um envelhecimento rápido e transição epidemiológica com pressões enormes sobre o sistema de saúde.

A curto prazo, a política de cuidado e um bom funcionamento do sistema geram empregos com impactos no consumo, nos ingressos tributários e nas contribuições à segurança social, com o que, parte dos investimentos retornam ao Estado contribuindo para o fisco e a sustentabilidade dos fundos previdenciários.

A liberação de tempo de trabalho não remunerado das mulheres aumenta a oferta de trabalho feminina. O acesso a um emprego formal para as mulheres permite uma maior autonomia econômica aumentando o consumo e as oportunidades de reduzir a pobreza. O Paraguai realizou um importante esforço na educação das mulheres que porém não se potencializa porque elas se mantêm em seus lares, ou se saem para trabalhar o fazem em empregos precários pela necessidade de "conciliar" trabalho remunerado com o não remunerado. Elas perdem a oportunidade de contar com ingressos próprios e, na velhice, com uma aposentadoria digna.

As mulheres "NiNis" são o melhor exemplo. Elas, que constituem 80% da juventude que está excluída do sistema educativo e laboral, realizam 36 horas semanais de trabalho não remunerado em seus lares, entre os quais se encontra o de cuidado.

A construção de um sistema de cuidados garante o direito a cuidados de qualidade para as pessoas que o necessitam como as crianças, adolescentes, as pessoas com deficiência e as pessoas idosas e é um meio para garantir o direito a um emprego de qualidade.

O investimento público em cuidados tem altos retornos econômicos, tal como evidenciam uma grande quantidade de estudos realizados. Os empregos gerados constituem motores do crescimento econômico, tanto pelo aumento do volume de postos de trabalho quanto pelo aumento da produtividade. Os ingressos laborais gerados contribuem para a redução da pobreza. A acumulação de capital humano e os empregos formais se traduzem em aumento da produtividade, do consumo, dos ingressos tributários e das contribuições à segurança social.

O investimento em cuidados melhora os resultados das políticas de saúde e educação e aumenta a eficiência do investimento nesses âmbitos ao gerar economias.

A evidência empírica mostra que investir em cuidados, além de garantir direitos, tem impactos econômicos mensuráveis no curto e longo prazo com benefícios para todos.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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