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Paraguai

O debate histórico sobre a data de nascimento de Francisco Solano López

25/07/2026 10:45 3 min lectura 22 visualizações

O centenário de 1926

Em 1926 constituiu-se uma Comissão de Festejos do Centenário do natalício de Francisco Solano López, segundo informações do historiador Fabián Chamorro. A comissão contou com a presidência honorária de Juan E. O'Leary e foi integrada por destacadas figuras políticas e intelectuais das três principais correntes políticas da época: colorados, liberais e nacionalistas.

Entre os integrantes encontravam-se Eliseo Da Rosa como presidente, Natalicio González e Tomás Romero Pereira pela corrente colorada, Justo Pastor Benítez e Pablo Max Insfrán pelo liberalismo, além do poeta Facundo Recalde e outros destacados personagens. A celebração foi amplamente divulgada nos periódicos da capital e incluiu uma obra teatral, celebrando que López havia nascido em 24 de julho de 1826 segundo os registros manejados naquele momento.

As primeiras discrepâncias documentais

A validação de 1826 como ano de nascimento foi respaldada por Juan E. O'Leary em sua obra "El Mariscal Solano López" (publicada em 1922) e posteriormente por Arturo Bray em "Solano López soldado de la gloria y el infortunio". Contudo, ao revisar a ata matrimonial de Carlos A. López e Juana Pabla Carrillo, descobriu-se que estava datada em 22 de julho de 1826, apenas dois dias antes da data registrada do nascimento de Francisco Solano.

Este achado gerou dúvidas sobre a cronologia dos fatos, o que motivou os pesquisadores a reconsiderar o ano de nascimento enquanto se mantinha o dia e mês do evento.

A consulta oficial à Academia

A polêmica estendeu-se durante aproximadamente cinquenta anos até que em maio de 1977, durante a presidência de Alfredo Stroessner, a Câmara de Deputados do Congresso Nacional solicitou formalmente à Academia Paraguaia da História seu critério oficial sobre a data exata do nascimento do Marechal.

Pouco depois, a Academia comunicou que em 1926 efetivamente se havia festejado o centenário do natalício, mas que O'Leary e Bray equivocaram-se ao fixar 1826 como o ano de nascimento. A instituição remeteu um informe elaborado em 1976 no qual afirmava que "o sesquicentenário do nascimento do Herói Máximo de nossa nacionalidade deverá ser comemorado no próximo ano, em 24 de julho de 1977".

Análise acadêmica da questão

A Academia Paraguaia da História reconheceu que a fé de batismo do Marechal Francisco Solano López "possivelmente desapareceu, pelo menos até a data não foi encontrada". Apesar disso, apresentou argumentações de dois acadêmicos que sustentaram a mudança de data de 1826 para 1827.

O Dr. Marco Antonio Laconich argumentou que, considerando a data de constituição do matrimônio do presidente Carlos A. López e Juana P. Carrillo em 22 de julho de 1826, era lógico assumir que Francisco Solano teria nascido em 1827. Contudo, a Academia admitiu que o documento que deveria registrar o batismo da criança não existe para nenhum dos dois anos, o que limitava a força probatória dessa argumentação.

O Coronel Víctor Ayala Queirolo apresentou como evidência uma publicação do jornal "El Centinela", fundado e dirigido pelo próprio Marechal em 1867, embora a análise desta fonte requereria maior análise histórica para determinar seu valor documental.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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