O ciclo de convergência opositora: análise histórica e perspectivas para 2028
Um padrão que se repete
A história eleitoral desde 1993 oferece uma perspectiva sobre os ciclos da oposição não-colorada. Nesse período, a oposição tem alternado entre momentos de fragmentação e convergência, aprendendo principalmente dos resultados da última eleição geral em que participou.
Em 1993, Laíno e Caballero Vargas competiram separadamente, fragmentando o voto opositor. Em 1998, a oposição convergiu em uma aliança atrás de Laíno-Filizzola, embora novamente sem sucesso. Em 2003, produziu-se outra fragmentação quando Franco e Fadul apresentaram chapas independentes. Porém, em 2008, a dupla Lugo-Franco conseguiu somar quase todo o espectro não-colorado, conquistando a vitória eleitoral.
Fratura e recomposição
A unidade alcançada em 2008 desmoronou com o julgamento político de 2012, gerando uma nova fratura. Em 2013, Alegre-Filizzola não conseguiu somar as candidaturas progressistas posteriores, deixando a frente opositora fragmentada. Para 2018, as forças opositoras voltaram a converger atrás de Alegre-Rubín, formando uma dupla mais competitiva, embora sem resultado favorável. Em 2023, Alegre e Payo Cubas não puderam se unir, resultando em nova derrota eleitoral.
Embora a unidade opositora não garanta vitória frente à ANR, a fragmentação tende a gerar derrotas mais contundentes e a percepção de oportunidades perdidas.
Sinais atuais de convergência
Os indicadores sugerem que as forças opositoras encontram-se atualmente em uma fase de convergência. Nas eleições municipais, a oposição quase duplicou as alianças inscritas, passando de 110 para 214. Ganhou Assunção com Soledad Núñez, candidata sem partido, depois de ter perdido dividida em 2021. Em Ciudad del Este, o PLRA baixou seu candidato para apoiar Yo Creo, que resultou vencedor com 73%.
O enfraquecimento da marca liberal facilita a unidade. O PLRA passou de 62 intendências em 2021 para 34 em 2026. Referentes importantes como Estigarribia e Buzarquis coincidem em que ninguém vence sozinho a ANR, embora Buzarquis sugira avançar diretamente rumo a uma aliança com Miguel Prieto, que encabeza vários estudos de opinião para 2028.
Desafios para 2028
O debate atual entre setores opositores já evoluiu rumo à metodologia. Alguns partidos preferem internas, outros setores buscam definir a aliança de forma direta, e alguns optam por resolver a candidatura mediante pesquisas.
O ciclo de alternância entre fragmentação e unidade não opera como lei determinante. A eleição se define em uma única volta, o que obriga a coordenar antes de votar. Nessa negociação podem confluir vários líderes, com Prieto oferecendo a vice-presidência a um liberal, setores do PLRA reivindicando o primeiro lugar, e outros dispostos a ceder a candidatura presidencial a Prieto.
A história também mostra que manter-se unidos para governar resultou mais difícil do que unir-se para competir. Se a oposição aprende apenas do resultado imediato de 2023, talvez chegue unida a 2028. Mas se incorpora também as lições do período 2008-2012, poderia chegar unida e em melhores condições para exercer o governo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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