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Política

O cartismo em seu apogeu

27/07/2026 13:45 4 min lectura 11 visualizações

O desdobramento político dessa competição interna incontestada foi a rápida transição para um discurso sobre a necessidade da unidade partidária, da concordia, da cicatrização ou simplesmente do abraço republicano (ao qual fez alusão meu colega Alfredo Boccia em sua última coluna). Ficaram para trás o "anticartismo emocional", os "traidores" ou as conversas entre advogados e promotores coludidos para dificultar a vida aos correligionários da administração anterior. Agora tudo é paz e harmonia.

Quanto aos chamados "movimentos dissidentes", ainda que o desempenho eleitoral não tenha sido catastrófico, como quis apresentar José Duarte, pareceu mais com o miado de um gato do que com o rugido de um leão. Desde agosto de 2024, quando Marito fez seu reaparecimento, prometia-se a recuperação da autenticidade colorada. A princípio, pensou-se que seria pela mão de Añetete; mas depois vieram Força Republicana, Causa Republicana e, assim, floresceu a árvore da dissidência. Todos buscavam tentar os correligionários, prometendo tornar realidade suas ambições políticas nas municipais. No entanto, a julgar pelos resultados, não muitos morderam a maçã. Terão calculado melhor e viram que não lhes convinha ser expulsos do paraíso cartista e ter que ganhar o pão com o suor da fronte. De que lhes servia estar longe dos recursos e de uma vida sem culpa.

Sem dúvida, o grande vencedor desse processo pré-eleitoral foi o presidente do Partido Colorado, Horacio Cartes. Ele o sabe. Viu-se-lhe mais emocional, mais conciliador, colocando maior ênfase em sua afabilidade. Parte disso terá também a ver com ter destrancado todos os problemas que tinha com o Governo americano, coroado com sua presença na final da Copa do Mundo e uma amável conversa com Marco Rubio.

De agora em diante, muito dependerá de sua força e sua capacidade de continuar sendo o grande articulador. Sem sua presença duvidamos que seria possível manter a coesão. As internas enviaram um claro sinal de que a aceitação de sua liderança tem uma base sólida. No entanto, entre aqueles que remam a nave que ele capitaneia não se pode dizer que reina a "união e igualdade". Há cotoveladas e rasteiras entre governadores, deputados e senadores. Há convencionais que se sentem ignorados, presidentes de seção que não conseguem o cargo desejado; clãs que não aceitam ser marginalizados do poder. Por fim, por mais que ele mesmo declarasse na Conmebol que "hoje não há mais movimentos", seria um erro confundir uma trégua com uma paz duradoura.

Finalmente, não podemos deixar de lembrar que, ainda estando em seu apogeu, não há que confundir partido e nação. Quando se ouviu o presidente Santiago Peña falar em coloradizar o país, ou quando se voltou a pronunciar aquele repetido enunciado de que "quando ao partido vai bem, ao país vai bem", um setor importante do país se incomodou, e com razão. O cartismo está em seu apogeu, e o partido tem muito que celebrar. Tudo bem por eles. Mas quando se fala em "coloradizar" o país está-se deixando o terreno democrático e plural. Há que respeitar as maiorias e as minorias, há correligionários e há cidadãos, há opositores e há independentes. Por isso, de Cartes resgatamos a frase "há diferenças... não estamos obrigados a pensar igual". Afinal, o Estado se mantém com o imposto de todos e todas.

"Mas quando se fala em 'coloradizar' o país está-se deixando o terreno democrático e plural".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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