O bem comum e o serviço como fins da atividade política e pública
A dimensão social da pessoa, que se realiza com outros e não em solitude nem isolamento, justifica a existência da comunidade política e da ordem social, assim como o uso do poder para governar.
Mas esse poder deve prestar contas à comunidade com base na primazia do bem comum, a sujeição à lei natural e à lei positiva legítima, à busca de justiça e de paz social, que geram bem-estar no povo.
A virtude, como disposição para o cumprimento dos deveres em busca desse bem comum, é sine qua non da vida social.
Aristóteles já afirmava que o bom uso do poder político se define pela retidão de seu fim; assim, o poder é legítimo unicamente quando se exerce em favor do bem comum e não para o benefício pessoal do governante.
O Estado não existe apenas para viver, mas para "viver bem" (alcançar a maior felicidade possível e a virtude), portanto, o poder deve repartir cargas e benefícios, segundo o mérito e não as prebendas, os caprichos ou os interesses de uns poucos que possam prejudicar o bem da maioria.
Além disso, o bom governante é um servidor da lei, não alguém que está acima dela.
O uso da razão e o apoio na ética nos faz diferenciar entre a mencionada virtude social e os simples interesses de grupo.
O Governo deve dar um passo de maturidade que o aproxime das necessidades reais do povo, sem confundir sucesso com arrogância nem dignidade com altivez.
Lembremos que o bem comum não é a simples soma dos interesses individuais, mas a conjunção das condições sociais que permitem o desenvolvimento integral de cada pessoa, garantindo a justiça e o respeito aos direitos humanos (dimensão social), promovendo o acesso a uma educação de qualidade, à saúde, ao trabalho digno e aos serviços básicos, respeitando a propriedade privada e a vida dos cidadãos (dimensão material), assim como fomentando valores, custodiando a instituição familiar e as liberdades básicas de consciência, de pensamento, de expressão e de diversidade ideológica de todos (dimensão espiritual).
Ressaltamos que o bom Governo é aquele que se ordena ao bem comum e não ao interesse particular do governante.
A vida social requer direção e governo, o que implica o uso do poder que a cidadania outorga a seus líderes. Entretanto, alguns se aproveitam dessa confiança, e até mesmo da ingenuidade dos eleitores, para se beneficiarem de maneira egoísta e corrupta.
Para recuperar a confiança é preciso voltar a instalar como guia os princípios do bem comum, da vivência de virtudes morais, da sujeição às leis justas e não arbitrárias, e do serviço como fim da atividade pública.
O cardeal Martínez refletiu também sobre o perigo dos "pastores que usam as pessoas em vez de servi-las", já que "carregam em vez de aliviá-las"; acrescentou que "os falsos pastores carregam outros com sofrimentos" e fez um chamado a seguir o exemplo de Jesus de Nazaré, que "não veio para ser servido, mas para servir".
Esta é uma chave importante para recuperar a confiança na política, que sofre de má reputação pelos defeitos e excessos no uso do poder de alguns governantes.
É necessário voltar às raízes essenciais da política para revitalizá-la e apontar para o bom governo.
Os paraguaios merecemos essa mudança real.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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