IPS: Empresa antiincêndios era satélite de questionada superprodutora do Estado
Sistema que custou G. 8.220 milhões falhou durante incêndio no Hospital Central em fevereiro
O Instituto de Previsão Social (IPS) adjudicou milionário contrato para a instalação e manutenção de sistemas de detecção e prevenção de incêndios que, conforme reportado ao titular do Conselho, Isaías Fretes, não funcionou no incêndio que sofreu a previsional em fevereiro deste ano. A empresa adjudicada por G. 8.220 milhões foi Ascent SA, firma ligada à Engineering SA.
O contrato com a produtora de sistemas de prevenção contra incêndios foi assinado há 5 meses, em 30 de setembro de 2025, quando Jorge Brítez ainda era titular do IPS.
Em antecedentes, Engineering SA foi apontada pela polêmica Passarela de Ñandutí, além de somar como superprodutora em mais de 52 contratos com o Estado.
Engineering tinha nexos por compartilhar diretivos com a empresa Barrail SA, produtora que finalmente se converteu em Ascent SA. Como representante de Ascent figura ante a Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP) Sebastián Fernando Cabello Manevy, apontado como cunhado de Juan Andrés Campos Cervera, representante de Engineering.
No histórico de Ascent SA se vê a rastreabilidade da mudança de denominação figurando ainda contratos a nome de Barrail SA, firma que em seu momento foi considerada satélite de Engineering para grandes contratos ante o Estado.
Última Hora tentou estabelecer contato com Cabello Manevy, que aparece como signatário do contrato entre IPS e Ascent. Desde a firma se comunicou que Cabello Manevy estaria em viagem e já não seria representante de Ascent, enquanto se ofereceu um contato de Hernán Pardo, novo representante da produtora.
Até o fechamento da edição, Pardo não respondeu às consultas enviadas por ÚH sobre os nexos das empresas nem tampouco sobre auditorias ou informes que tenham pelo incêndio do passado 18 de fevereiro no Hospital Central de IPS.
A LICITAÇÃO
Ascent SA foi adjudicada por G. 8.220.676.255, em um contrato distribuído em dois lotes: a Área Central e a Área Interior, que abrangem hospitais, centros assistenciais e edifícios administrativos da previsional.
O contrato incluía entre seus pontos críticos o Hospital Central, onde precisamente se produziu o incêndio que deixou em evidência a inoperatividade do sistema.
O contrato conforme a DNCP se estende até novembro de 2026. Durante esse evento, considerado de importância pelas autoridades, os alarmes não se ativaram. O fogo afetou a área de informática e obrigou a evacuar setores sensíveis do hospital, além de forçar a operação manual de vários serviços.
O fato acendeu os alertas dentro do Conselho de Administração, que qualificou a situação como "grave" e resolveu solicitar uma auditoria para determinar responsabilidades. Entre os pontos a verificar figuram o cumprimento do contrato, a vigência das garantias e o estado real dos sistemas instalados.
- G. 8.220 milhões pagou IPS em sistema de prevenção contra incêndios em setembro de 2025 e em cinco meses falhou.
- G. 3.500 milhões para manutenção de elevadores. Está sendo investigado por irregularidades.
- 36 meses de espera têm licitações cruciais para a provisão de medicamentos no IPS.
A Controladoria-Geral da República (CGR) soma em múltiplas auditorias ao Instituto de Previsão Social (IPS) no marco do Plano Geral de Auditorias 2026, com alcance ao exercício fiscal 2025. As revisões abrangem áreas-chave como estados financeiros, fundo de aposentadorias e pensões, investimentos, ativo fixo, contratações públicas, tecnologias da informação e gestão ambiental, incluindo resíduos hospitalares.
Todas as auditorias se encontram atualmente em etapa de comunicação de início, conforme notas remetidas entre agosto e outubro de 2025. O processo inclui a solicitação de documentação preliminar e preparação para as verificações técnicas posteriores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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