"O acordo com a União Europeia deixará benefícios de mais de US$ 100 milhões, só na redução tarifária", afirmou Tonelli
O consultor pecuário sustentou que a redução tarifária já se reflete no valor da cota Hilton e estimou um impacto econômico significativo para a cadeia. Considerou marginal o efeito da nova cota de 99.000 toneladas e questionou a discussão por sua distribuição entre países.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia começou a mostrar efeitos concretos no negócio da carne bovina, inclusive antes de sua implementação plena, assegurou o consultor pecuário Víctor Tonelli, que destacou que a melhoria de preços na cota Hilton já reflete o impacto da eliminação de tarifas.
"Do ponto de vista comercial, já está vigorando. O preço da cota Hilton exportada passou de 20.000 para entre 23.500 e 24.000 dólares, com o que boa parte do benefício da tarifa zero já se está vendo", afirmou.
Tonelli explicou que a eliminação da tarifa de 20% para o ingresso de carne na Europa gera um benefício direto para toda a cadeia cárnea.
"O Hilton passa de 20% para zero. É uma economia direta que fica com toda a cadeia produtiva e o consumidor, em detrimento do fisco europeu. Não há nenhum privado que tenha que ceder nada", sublinhou.
Em termos econômicos, dimensionou o impacto: "Se esse diferencial termina sendo de uns 3.000 dólares por tonelada sobre cerca de 30.000 toneladas, estamos falando de uns 100 milhões de dólares adicionais para a cadeia".
Por outro lado, um dos pontos mais discutidos do acordo é a cota de 99.000 toneladas para carne bovina com tarifa preferencial. Porém, Tonelli relativizou seu impacto.
"É uma cota muito pequena. Este ano arranca com 13.000 toneladas e vai crescendo gradualmente. Se você divide entre os quatro países, é praticamente quase nada", afirmou.
Além disso, explicou que, embora a tarifa preferencial de 7,5% represente uma economia importante frente aos 50-55% fora de cota, o volume não move a agulha do negócio. "A contribuição para o resultado final é muito pequena. Não vai mudar o número de exportações de nenhum dos países", sustentou.
A respeito da negociação entre países do Mercosul pela distribuição da cota, Tonelli foi crítico e apresentou uma postura pragmática. "Me parece uma perda de tempo discutir isso com critérios de 2010. O cenário mudou totalmente. Hoje Paraguay é um ator relevante, Brasil cresceu muitíssimo e o contexto é outro", sinalizou.
Nessa linha, propôs: "Como é pouco volume, dividiria em quatro partes iguais e pronto. Não gastaria mais tempo nem recursos nisso".
O verdadeiro desafio: normas ambientais da Europa
O consultor advertiu que o foco deveria estar posto em outro tema de maior impacto: as exigências ambientais da União Europeia.
"A resolução de carne e couro livre de desmatamento entra em vigor em teoria no dia 1º de janeiro de 2027...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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