Nevercindo Cordeiro: "El Niño pode voltar a deixar Alto Paraguay sem logística"
A pecuária de Alto Paraguay conseguiu recuperar certa normalidade após vários meses de fortes dificuldades pelas chuvas e enchentes, embora o setor volte a observar com preocupação a possível incidência do fenômeno de El Niño durante os próximos meses.
Nevercindo Cordeiro, presidente da Regional Alto Paraguay da Asociación Rural del Paraguay (ARP), apontou em Valor Agregado que durante três a quatro meses muitos produtores praticamente não conseguiram tirar gado de seus estabelecimentos devido ao péssimo estado dos caminhos.
"Ficamos praticamente três ou quatro meses sem poder tirar os animais pela enchente. Houve casos de caminhões que ficaram travados 10 ou 15 dias sem conseguir sair de Alto Paraguay", explicou.
Atualmente a situação melhorou e os caminhões podem voltar a entrar nos estabelecimentos, mas Cordeiro alertou que um novo período de chuvas intensas poderia voltar a paralisar a região.
"Agora estamos um pouco mais tranquilos, mas a grande preocupação é El Niño", sustentou.
Segundo indicou, se repetirem precipitações semelhantes às registradas durante os últimos meses, a logística poderia ficar novamente comprometida por completo.
"Eliminaria totalmente a possibilidade de logística. Não há possibilidade de que entrem os caminhões", afirmou.
Para o dirigente, um dos principais desafios continua sendo a infraestrutura secundária. Embora a Rota Bioceânica represente um avanço importante, explicou que numerosos estabelecimentos se encontram a vários quilômetros da via principal e continuam dependendo de caminhos que rapidamente ficam intransitáveis.
"Se você tem sua propriedade a 15 ou 20 quilômetros da Bioceânica, com uma chuva de 30 ou 40 milímetros já muitas vezes você não consegue chegar", comentou.
Cordeiro destacou que Alto Paraguay está crescendo não somente em pecuária, mas também em agricultura, com novas áreas de soja e algodão, porém sustentou que esse desenvolvimento precisa estar acompanhado por melhores caminhos.
"Se não cresce a infraestrutura, realmente é muito difícil produzir no Chaco", apontou.
Diante da ameaça climática, autoridades nacionais e referentes da região já começaram a coordenar ações de contingência, principalmente para garantir alimentos, medicamentos e assistência às pessoas que possam ficar isoladas.
"O clima não podemos controlar, mas sim podemos prevenir", ressaltou.
Além do cenário climático, Cordeiro se mostrou otimista sobre o negócio pecuário. Considerou que os preços do gado deveriam se manter firmes durante o segundo semestre, apoiados por uma maior demanda de carne paraguaia e uma oferta mais ajustada.
"Acredito que daqui até o final do ano o preço não vai cair. A tendência é que continue subindo pouco a pouco", concluiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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