Neufeld assegurou que o gado gordo seguirá firme sobre base de US$ 5: "Não haverá oferta exagerada de gado"
O produtor ganadero e referência do Chaco, Egon Neufeld, considerou que o mercado do gado gordo transitará o segundo semestre com valores firmes e sem grandes sobressaltos, respaldado por uma oferta moderada, boas condições forrajeiras e uma demanda internacional que continua mostrando solidez.
Durante uma entrevista com Valor Agro, Neufeld sustentou que não observa fundamentos para uma queda pronunciada dos preços, apesar de que algumas indústrias tentam ajustar suas referências de compra ante a expectativa de uma maior oferta de hacienda com a chegada do inverno.
"Não considero que o preço do gado vá sair do eixo dos US$ 5 por quilo carcaça. Pode ter uma ou duas semanas de ajuste, mas não vejo uma incidência importante sobre os valores", afirmou.
O produtor explicou que o Alto Chaco atravessa um cenário muito diferente ao de outros anos, com abundante disponibilidade de forragem e campos que, em muitos casos, não foram carregados ao máximo devido aos elevados preços da reposição.
"Estamos entrando ao inverno com muito boa qualidade e quantidade de pastagens. A gente não tem necessidade de entregar gado semiterminado, portanto vai reter e buscar terminar melhor os animais para vendê-los mais adiante", indicou.
Nesse sentido, considerou que a tradicional oferta prévia ao inverno poderia ser menor à habitual, especialmente desde o Chaco.
"Creio que essa oferta exagerada que costuma haver desde o Chaco não vai vir agora. O Alto Chaco vai entregar normal e muitos produtores vão especular com animais melhor terminados", assinalou.
Respecto à atividade industrial, Neufeld estimou que os níveis de abate observados em junho poderiam sustentar-se durante o segundo semestre, ainda que dificilmente alcancem os registros do ano passado.
Argumentou que a combinação entre boas condições climáticas, menor pressão de venda por parte dos produtores e altos custos de reposição limita a disponibilidade de gado.
"Creio que o abate não vai alcançar o que foi o ano passado, mas sim pode sustentar os níveis atuais. Não vejo uma oferta que permita aumentar significativamente a atividade", expressou.
O referente chaquenho também destacou que Paraguai conta hoje com uma carteira de mercados mais diversificada, capaz de absorver diferentes tipos de cortes e categorias, o que aporta estabilidade à cadeia. "Hoje temos uma variedade de mercados internacionais que compram tudo e compram bem. Isso ajuda a sustentar o negócio", concluiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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