"Não viemos para comemorar, viemos para apontar uma dívida"
Família de Óscar Denis denuncia falta de resultados nas investigações seis anos após seu sequestro
A seis anos do sequestro do ex-vice-presidente Óscar Denis, sua família denunciou a absoluta falta de resultados nas investigações e reclamou que o Estado mantém uma dívida histórica com as vítimas da criminalidade no norte do país.
Durante uma coletiva de imprensa, Beatriz Denis, filha do político e empresário pecuarista, questionou duramente a inação das autoridades e dos órgãos de segurança encarregados da busca.
O pronunciamento da família Denis foi realizado ontem, coincidindo com a data em que se completam seis anos daquele 9 de setembro de 2020, dia em que um grupo armado do Exército do Povo Paraguaio (EPP) interceptou e privou de sua liberdade Denis em seu próprio estabelecimento pecuarista, a estância Tranquerita.
Com um discurso firme que combinou a dor familiar com a exigência cidadã, Beatriz esclareceu que a mobilização não tem um fim meramente comemorativo, mas de interpelação direta aos três poderes do Estado pela impunidade que envolve o caso.
"Não viemos apenas para comemorar uma data. Viemos para apontar uma dívida", expressou de forma categórica, resumindo o sentimento de uma família que ainda segue sem ter respostas sobre o paradeiro de seu pai.
A família reclamou ao Estado que informe com clareza o que foi investigado, o que ficou pendente, o que ocorreu com os depoimentos e dados recebidos, quais são as linhas investigativas que continuam abertas e quais foram abandonadas.
"Não queremos outro relatório cheio de generalidades. Queremos responsáveis, ações, prazos e resultados", sinalizaram.
"Se o Estado tem capacidade para chegar todos os dias a milhares de paraguaios através dos meios e redes sociais, também deveria utilizar essa capacidade para algo fundamental: Buscar seus cidadãos sequestrados", sustentaram.
A família Denis pediu, além disso, à cidadania que não permita que o passar do tempo converta o sequestro em uma simples lembrança.
Igualmente, fizeram um chamado a qualquer pessoa que pudesse ter informação sobre o paradeiro de Óscar Denis, ainda que considere que o dado possa ser insignificante.
"Não queremos memória durante 24 horas; queremos busca os 365 dias do ano", afirmaram.
Por fim, as irmãs Denis reafirmaram seu compromisso de continuar com a busca.
"Seguimos de pé. Não te abandonamos. Vamos continuar perguntando, buscando e exigindo, porque o silêncio nunca será uma opção", expressaram.
E encerraram com a pergunta que, seis anos depois, segue sem resposta: "Onde está Óscar Denis?"
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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