Mudanças na cúpula militar não contêm a crise na Ucrânia
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, assinou ontem os decretos de nomeação dos generais Mijailo Drapati e Igor Skibiuk como novos chefes do Exército e do Estado-Maior da Defesa respectivamente, mas não conseguiu encerrar a crise aberta pela demissão de Mijailo Fédorov do cargo de ministro dessa área.
Fédorov continua sem responder ao novo cargo que lhe foi oferecido pelo presidente, pois Zelenski lhe ofereceu na noite de terça-feira passada uma posição no Governo para continuar impulsionando a transformação tecnológica do país que quis implantar a partir da Defesa no Exército.
Porém, ele sim se pronunciou em suas redes sociais para expressar apoio ao nomeamento de Drapati como novo comandante em chefe do Exército. "É uma bafada de ar fresco e um novo motivo de esperança na luta do povo livre pela liberdade e pela justiça. É a voz da mudança que não pode ser ignorada", escreveu Fédorov sobre o nomeamento de Drapati.
Drapati é um general jovem considerado reformista que se posicionou ao lado do ex-ministro após sua destituição e compartilha suas ideias sobre como deve funcionar o Exército.
Grande popularidade
Do protagonismo que Fédorov tem assumido desde sua saída do cargo – segundo o próprio ex-ministro por um conflito com o então chefe do Exército Sirski, com quem Zelenski se alinhou inicialmente – uma pesquisa publicada ontem deu boa medida.
O sondagem o coloca, à frente do presidente, como a figura em quem mais confiam os ucranianos, embora atrás do antigo comandante das Forças Armadas Valeri Zaluzhni.
Segundo a pesquisa, realizada pela Rating Group depois que Zelenski se desfez de seu popular ministro da Defesa, Fédorov conta com a confiança de 65% dos ucranianos.
59% dos entrevistados dizem confiar em Zelenski.
Além disso, 72% dos que participaram do sondagem se mostraram contrários à decisão de Zelenski de afastar Fédorov do cargo de ministro da Defesa, iniciativa que obteve aprovação de apenas 5% dos entrevistados.
A imensa popularidade que Fédorov adquiriu poderia se refletir novamente em breve nas ruas da Ucrânia se o ex-ministro não aceitar o novo cargo no Governo que como alternativa ao Ministério da Defesa lhe ofereceu Zelenski.
Nas redes sociais, um dos principais impulsores dos protestos contra a saída de Fédorov – nos quais também se pedia a demissão de Sirski como chefe do Exército, o que já é realidade – é um veterano do Exército que escreve com pseudônimo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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