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Internacional

Militarização e filas por comida, assim está a Venezuela 10 dias após o terremoto

O estado de La Guaira permanece militarizado enquanto continuam as buscas por sobreviventes e o número de mortos chega a 2.645

04/07/2026 14:00 3 min lectura 2 visualizações
Militarización y filas por comida, así está Venezuela a 10 días del temblor

O estado venezuelano de La Guaira (norte) permanecia ontem mais militarizado do que o habitual, quando se completam – na data de hoje – dez dias do duplo terremoto e também seis meses desde que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, durante uma operação em Caracas.

Em La Guaira veem-se longas filas de pessoas que aguardam sua vez para receber comida, enquanto continua a remoção de escombros.

As operações de busca prosseguem apesar de a probabilidade de encontrar mais pessoas com vida diminuir a cada hora. Porém, o resgate de um homem avivou o ânimo na Venezuela.

Em Caraballeda, um grupo de rescatistas implantou drones e cães para avaliar o resgate de Fabio, uma criança de nove anos que permanece presa há nove dias sob um edifício desabado.

O número de mortos pelo duplo terremoto de 24 de junho na Venezuela aumentou para 2.645, enquanto o de feridos subiu para 12.666, informou ontem o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, que não ofereceu um balanço sobre o número de pessoas desaparecidas.

O também irmão da presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, publicou o balanço em uma mensagem no Telegram, na qual detalhou ainda que cerca de 15.050 pessoas ficaram sem moradia e que 86.117 famílias foram atendidas.

No detalhamento também mencionou 6.462 pessoas resgatadas e 885 edifícios afetados, 189 deles totalmente desabados, pelos quais foram habilitados 59 acampamentos temporários.

Além disso, informou que mantém conversas com o Departamento de Estado dos EUA e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para "recuperar recursos" que permitam a reconstrução da infraestrutura afetada.

O Governo cifrou em mais de 12.800 as pessoas que perderam suas casas, enquanto a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) documentou 16.000 cidadãos que tiveram de procurar um lugar alternativo para viver.

A presença de rescatistas internacionais ascendia na quinta-feira passada a 3.000, segundo cifras da ONU, enquanto o número de pessoas salvas durante a semana que levam na Venezuela subiu para 13.

Numerosos venezuelanos se integraram aos trabalhos de resgate nos edifícios afetados e organizaram coletas de suprimentos e transporte de doações. Segundo cifras oficiais, há mais de 17.800 voluntários.

Na sexta-feira passada, a porta-voz da Organização Internacional para as Migrações da ONU (OIM), Zoe Brennan, apontou que até 6,76 milhões de pessoas poderiam ter sido afetadas pelos terremotos.

O duplo terremoto de uma semana atrás é o mais mortífero que a Venezuela vivenciou no último século. Cinquenta e nove anos antes, em julho de 1967, ocorreu nas proximidades de Caracas um sismo em que morreram 245 pessoas, milhares sofreram ferimentos e os danos materiais foram muito substanciais.

O governo evita falar de desaparecidos, estimados em 50.000 pela ONU. Os desabrigados calculam-se em milhões. Muitos estão na rua ou em precários abrigos instalados em parques sem um futuro claro no horizonte. A presidenta Delcy Rodríguez se apega à possibilidade de encontrar sobreviventes, mas o cenário é remoto. A janela neste tipo de eventos fecha-se às 72 horas. A reação do governo ante a tragédia tem sido alvo de duras críticas por parte de muitos em La Guaira, que denunciaram a ausência de rescatistas até a chegada das brigadas internacionais. AFP

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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