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Política

Milei reativa a base naval do fim do mundo em meio à tensão por Malvinas

Argentina avança com projeto estratégico na Antártida enquanto aumenta pressão sobre exploração petrolífera britânica nas ilhas

13/09/2026 22:45 3 min lectura 254 visualizações

A semana passada, o presidente Javier Milei retomou o projeto após anos de adiamentos ao anunciar que vai "endurecer as sanções e penas" contra a exploração petrolera nas ilhas Malvinas, sob controle britânico e cuja soberania a Argentina reclama.

Milei prometeu além disso avançar com uma base destinada a reforçar a projeção argentina para a Antártida, em uma zona próxima aos estreitos que conectam os oceanos Atlântico e Pacífico e que também concentra crescente interesse dos Estados Unidos e China.

Milei falou no marco da rejeição argentina ao projeto petrolero britânico "Sea Lion" próximo a Malvinas, dias depois de seu par estadounidense, Donald Trump, não descartar reconsiderar a neutralidade de seu país sobre a disputa por Malvinas.

Mas o futuro complexo militar é, por enquanto, um piso de cimento de 2.500 metros quadrados em um terreno de 38 hectares sem acesso público.

Leia mais: Donald Trump: Um conflito entre Reino Unido e Argentina por Malvinas seria um "desastre potencial"

Encontra-se próximo ao aeroporto e a uns 5 km do centro de Ushuaia, capital da gelada e ventosa província de Tierra del Fuego no extremo sul da Argentina.

Sua pedra fundamental foi colocada em 2022 pelo governo de Alberto Fernández. Desde então apenas se realizaram as fundações e uma plataforma de concreto que representam o 9,13% do total da obra, segundo informação oficial.

"O objetivo central seria consolidar essa presença antártica", estima Daniel Guzmán, ex-combatente da guerra que travaram Argentina e Grã-Bretanha pelas Malvinas em 1982 e analista de temas internacionais.

"Não seria apenas uma base de navios e aviões para patrulhar a zona, mas que teria capacidade para prestar serviços a outras marinhas", explicou à AFP.

Também os habitantes de Ushuaia veem uma oportunidade. "Por alguma razão temos agora os olhos do mundo olhando para essa zona", disse à AFP Rubén Rafael, um médico de 69 anos.

O governador de Tierra del Fuego, Gustavo Melella, opositor a Milei, também respalda a obra, mas coloca um limite.

A construção da base "permitirá incrementar a presença nacional no Atlântico Sul. A apoiamos sempre e quando não implique a participação de outros países", disse à AFP o governador, que recebeu na sexta-feira os ministros de Relações Exteriores e Defesa, Pablo Quirno e Carlos Presti.

A possível vinculação dos Estados Unidos com a base já havia gerado controvérsia em 2024, quando Milei viajou a Ushuaia para reunir-se com a então chefe do Comando Sul, Laura Richardson, e disse que a base converteria a "nossos países" em porta de entrada à Antártida.

Nota relacionada: Milei revive disputa sobre as Malvinas e afirma que voltará a reclamar soberania sobre as ilhas

Semanas depois, seu governo esclareceu que não se tratava de uma base combinada. E recentemente o porta-voz presidencial Adrián Ravier insistiu: o projeto é "cem por cento argentino", disse.

As visitas estadounidenses ao extremo austral continuaram. Em abril de 2025, o então chefe do Comando Sul Alvin Holsey percorreu instalações navais de Ushuaia e recebeu informes sobre proteção de rotas marítimas e operações antárticas.

E em janeiro de 2026, uma delegação de 23 estadounidenses, entre eles sete congressistas, visitou também a província.

Para o cientista político Luis Castelli, diretor da consultora fueguina Vox Pópuli, o interesse internacional excede à base naval.

"Ushuaia tem alto valor geopolítico porque se encontra...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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